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A mostrar mensagens de novembro, 2023

Choque temporal

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"Quando acabarem as guerras de agressão, estaremos civilizados" (Emil Cioran)  

No passo das Damas

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(Palácio D. Manuel, Évora)  

Era uma casa muito engraçada

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com uma nesga a abrir para um pedaço do céu  

Um livro é um perigo

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segundo Cioran. Pelo menos, devia ser. É isso que às vezes me parece estar fazendo aqui: um perigo diário, fragmentado, inacabado por condição.  

O ritmo aleatório da degradação

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permite chamar paz ao que esmorece?  

O poder poético

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faz falar, não é? Ressuscita ou rePresenta, em face e no fundo,  mesmo a vida e o alcance inalcançável até do que é fixo, inamovível e transporta  

Fui ver o triângulo infernal -

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afinal estava tudo no mesmo lugar  

Semelhanças de família

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" E tal é o resultado desta consideração: vemos uma rede complicada de semelhanças, que se envolvem e se cruzam mutuamente.  Semelhanças de conjunto e de pormenor" )Wittgenstein, Investigações filosóficas , § 66(  

Cirurgia aleatória

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Ego e transcendência

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O cérebro é a parte do corpo que reúne e coordena as perceções e, portanto, resolve, decide. Pela sua atividade extraordinária percebemos que existe alguém de onde vêm tantas sensações e um «eu» que as trabalha, toma decisões, age ou manda agir. É claro que registamos recorrências e, pelos registos familiares, pessoais, culturais, somos levados a formar uma ideia geralmente fixa de nós próprios: existe uma pessoa que é 'assim', tem certos contornos, comporta-se de certa maneira, tal como tem o nariz torto ou comprido, com semelhanças com o de outros membros da família. Apegamo-nos a isso como se precisássemos de uma tábua de salvação, como se estivéssemos para naufragar. E não estamos. Estamos apenas a ver-nos, a apercebermo-nos e a conferir com registos anteriores que nos atribuem e nos atribuímos antes. E continuamos processando. Aí não há espírito, sopro divino, que se perceba, é o corpo no mundo agindo, coordenando-se, providenciando o necessário para continuar a agir. O qu...

Provérbio

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Os que partiram  deixaram os nomes  

Caminho abandonado

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para o velho moinho...  Um dia d'estio, de sol dardejante,  As roupas cobertas de terra e de pó, Perseguia o fugidio trilho errante Dos filhos dispersos da mis'ra Judá -  Peregrino do Amor no silêncio atroz -  O místico raiar no semblante da Fada. Só o moinho  abandonado  lhe recolheu a voz das jovens morenas que ali vinham cantar. (aperfeiçoando uns versos desconhecidos de Furtado Coelho, entre sorrisos e prantos )

O salto fundador

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da linhagem consiste num mergulho em abismo, transcendental à relação objeto-sujeito, fundindo os termos numa não-dualidade vertiginosa obstinada (isto passado, alguém dirá: ninguém pode impedir o destino - mas o destino é, também, uma implosão; em torno dela, suaves serão as ondas)  

Burro zebrado com pernas cortadas - resumo aristotélico

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  Pois, enquanto poeta, o lírico imita necessariamente.  Não o que vê, mas o que podia ver.  O que podia sendo estruturado segundo padrões formais, fractais e platónicos ao mesmo tempo. 

Vou dar um salto sobre o abismo - estória da velhice poética

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tentando não tropeçar. O conhecido Homero, seja quem for, envelheceu sem desistir. Os de que falarei por aqui, todos, envelheceram sem se calarem. O prudente Horácio calculou pesos e, medindo a guerra e a terra, foi viver para uma quinta não muito longe de Roma, de onde envelheceu com uma sabedoria que transmitia por verso a todos. Houve apenas um problema: sem se ter vivido muito não se podia saborear nem reconhecer a sabedoria. Portanto os jovens iam caminhos afora e continuavam seguindo em busca desorientada, por mais sábios que haja. Essa busca nos é útil, embora possa conduzir ao mesmo, porém um novo mesmo idêntico a outro mesmo. O espelho tem vida própria, não vos surpreenda o aparente paradoxo de mais do que um mesmo que, talvez, apenas se possa chamar idêntico.  Tentando um salto no abismo sem tropeçar, avisto agora o sublime neoclássico hippie Método de caligrafia para a mão esquerda  (António Cabrita). Manteve a transparência, o sentido do ritmo fiel ao ouvido intern...

Também, às vezes, há dias que são dois

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e o pensamento é contrapolar. As dualidades não nos revelam, mas o caminho único está sempre assistido, ladeado e alimentado pelas variações: o que se desnuda recebe e, nessa medida, religa.  

Redes com verdes

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Momentos de Artes Antigas - 2

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  Sessão de Poesia Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo Autor prestigiado: Francisco Soares Data: 19.11.2023, 15:30h Francisco Soares, místico, poeta, investigador, professor, grande conhecedor da língua e da literatura portuguesa, tem, como foi referido no texto que abriu a terceira parte da sessão,"a simplicidade dos grandes". Foi no dia 19 de Novembro, a sessão de poesia dedicada aos poetas da transição, dividida em 3 partes. O destaque foi para "Évora sobre seus mudos", intercalando imagens de Humberto Silveira Fernandes, modernista desconhecido de Borba, com retratos de figuras que ficam geralmente mudas e por baixo das estátuas grandes. Foram igualmente contemplados autores alentejanos da viragem do século XIX para o XX, numa apresentação de textos e imagens de postais antigos de Évora e do Alentejo, numa recolha fruto da colaboração entre o poeta homenageado e o Dr. Rui Arimateia. Na terceira parte, amigos convidados procederam à leitura de poemas do seu no...

Lugares de Arte Antiga

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"Foi local de tais diálogos e tais encontros, de tais afinidades electivas do  nosso algo diverso caminho de vida e do nosso destino empós, de tais e tamanhas  descobertas e deslumbramentos, como se foram naus da alma confluentes  num mistério de superior desígnio, mas tão húmil e silente nos seus  eflúvios criadores, que — creio poder falar pelos três — selaram ali, nos jardins  do Museu de Arte Antiga, inexpresso embora, mas de todos os três sumamente  apercebido e aceite, um como juramento de fidelidade à arte que  entrecruza e borda a palavra e o silêncio que a origina, e a consente a mais  distinta e a mais bela." (Luiz Reys)  

No inverno, aos sábados, pela manhã

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elas iam à praia para ver o frio... (mulheres s´s)  

Forma, signo, gravação de pulsações...

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A forma pode constituir uma violência, colocando fronteiras e, por aí, controlando os trânsitos. Ou pode incorporar uma visão, teoria, sobre a graça da vida e das relações - o gesto. A forma pode ser uma forma de comunicação.  

Depoimento - the action

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"What causes war—religious, political, or economic? Obviously, belief, either in nationalism, in an ideology, or in a particular dogma. If we had no belief but goodwill, love, and consideration between us, then there would be no wars. But we are fed on beliefs, ideas, and dogmas and therefore we breed discontent. The present crisis is of an exceptional nature and we as human beings must either pursue the path of constant conflict and continuous wars, which are the result of our everyday action, or else see the causes of war and turn our back upon them. Obviously what causes war is the desire for power, position, prestige, and money; also the disease called nationalism, the worship of a flag; and the disease of organized religion, the worship of a dogma. All these are the causes of war; if you as an individual belong to any of the organized religions, if you are greedy for power, if you are envious, you are bound to produce a society which will result in destruction. So again it de...

As trevas e os dias

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https://edicoessemnome.pt/produto/as-trevas-e-os-dyas-seguido-de-sonetos-misticos-assituados-de-francisco-soares/   

As trevas e os dyas

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" Poeta de palavra rara e verbo arqueológico, Francisco Soares oferece-nos neste novo livro duas recolhas em tudo singulares. Em   As Trevas e os Dyas   respira-se uma atmosfera de aroma teogónico, em que perpassam temas como a noite primordial, a luz do princípio, a primeva sombra, o silêncio anteprimeiro, o tempo imemorial, mas também a terra e o fogo, o corpo e a nudez, os favos de mel, os lagos e o sonho, a alma e o silogismo imaterial do amor. Em   Sonetos Místicos Assituados , por seu lado, deparamos com um conjunto de sonetos de uma perfeição formal como hoje raramente encontramos na poesia portuguesa. Nestes textos, é   mística   sobretudo a dinâmica de rel[lig]ação do sujeito com as profundezas do   inter-locutor   interno, que se cruza com o Outro supremo — ora na prece, ora numa certa forma de contemplação da vida a partir do recesso primordial da existência. Este é um livro que solicita uma leitura detida, quase ruminada, digerida num centr...

Nenhuma arte se compõe por acaso,

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em divergência com os jogos da perceção  

Simetria irregular:

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duas árvores à noite  

Contrastes verdes

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no mar da folhagem. Não sei dizer o que isso me diz.  

A teoria dos fractais

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é como a arte abstrata: estiliza-nos o pensamento, mas reduz a diversidade à multiplicação determinável - embora em número imprevisível. Uma árvore não se reduz a isso.  

A morte é uma concha que se fecha

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sobre infinitos grãos de areia  

concha em arco aberto

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- e depois caímos os dois em plena fantasia sobre uma ruína.  

Passeio de Domingo

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(aos Domingos não se caça, dizem os predadores)  

Devagar se vai

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para muito perto  

Náufragos por conhecer:

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Frio. Lembrava-se Da morte. Estava só, A terra exilada, e Conduzia náufragos Para continentes Por conhecer.  

Em fogo

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embrenhado na chama  

A letra O

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e suas imprevisíveis consequências  

Vendo melhor,

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é metade do infinito  

Edições artesanais

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e cultura popular e que rodem as folhas  

De, para, quando, como, onde, mas

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Como poemas

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onde existe a presença intencional do poeta. Mas o íntimo pensamento exprime-se por contrastes entre afinidades. Onde não existe a presença intencional do poeta, o que há? Por acaso o processo criativo me parece mais um verbo transitivo, com idas e vindas às intenções e às intuições não intencionadas. O que há nessa Arte Antiga que sempre se renova?  

Ah não, poeta, esse não é o rio

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da tua aldeia, esse é o rio da vida inteira.  

Não é de reVolução que se trata,

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mas de reviravoltas na dinâmica das águas  

O ponto de ordem à mesa -

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dando de novo a palavra ao povo. Sem polvos. (vale a pena clicar sobre a imagem para ver em tamanho natural)  

A realidade das coisas não se pode sustentar

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sem supor a existência interativa dos elementos.