26/04/2009

tomás jorge raiva


Raiva

Saber ter raiva
Com as palavras que gritam força
Ter raiva
Com os músculos tensos de pólvora
Raiva
Com os lábios humedecidos de amor
Raiva
No jogo igualmente jogado
Saber ter raiva
Raiva de carinho e ódio
Nas impressões digitais da vida
Raiva com força
E raiva com amor
Jogo igualmente jogado
No dedilhar da metralha
No dedilhar da guitarra!

tomás jorge vieira da cruz

Tomás Jorge (Vieira da Cruz) nasceu em Luanda a 26 de Maio de 1928. Morreu em Lisboa, de cancro, a 24 de Abril de 2009. Poeta nacionalista, grande declamador, bom garfo, bom conversador, bom homem, bem disposto sempre, bom amigo. Como ele próprio escreveu,

Tudo se gasta

Nós vestimos de sonho

Embelezamos com flores

Tanta sucata!

Mas a ilusão

Também se gasta

Sensação de ouro e prata

De repente

Lata

(idem, ib.)

10/04/2009

romério rômulo

ato versos, tanto ou nada, minha doce face fuzilada: a carne é reticente, a noite é cega. (colagem; Romério Rômulo, Matéria bruta, São Paulo, Altana, 2006 - uma poesia a ler com atenção. Pode captar alguns poemas no sítio da cronópios)

planos de fuga