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A mostrar mensagens de março, 2025

Ponte com suspensórios

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Nada é necessário

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se o contrário foi possível (ensinava Leibniz)  

Caminha pensando:

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A ameaça chama pela força, a força é o limite da justiça.

No crisis at all

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Uma conceção de ensino

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Luz no túmulo

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do tempo  

Casou-se

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  de sangue azul

Castidade

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"A ordem do mundo é clara, embora maravilhosa, e distinta, embora paradoxal" (Miguel Real sobre a filosofia de Leibniz)  

Toca-me na cintura com as pontas dos dedos

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(Filipinas)  

Aforismo

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incompleto (aforismo vem do grego ἀφορίζειν ,  “definir”)  

Imaginário

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transnacional (as ondas formam-se junto à costa, mas vieram de muito longe)  

Fim de outro dia

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(fio de pesca)  

Por aí,

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já não há caminho  

Poligrafia portuense

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(rua do Breiner)  

Camilo Castelo Branco, o amor e o cheiro:

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Dizia Camilo Castelo Branco, autor muito lido numa Luanda de amores profícuos e consequentes, que lhe apreciava os sarcasmos e humores rasteiros e certeiros, além de muito bem dispostos: "Autores, embalados no berço da humanidade, falam da mulher, e provam que o amor, se não é mais velho, é pelo menos contemporâneo dos narizes." Um amigo meu, moçambicano, dizia que "o amor é o cheiro." Entretanto Camilo, nas vestes de outro e numa antecipação de Jorge Luís Borges (inventando autores e tradutores), cita Heródoto ao falar nos raptos de mulheres, para concluir que não vale a pena vingar os raptos que, se elas não quisessem, não eram raptadas. E conclui (essa primeira parte da sua crónica) dizendo que as tolices feitas por causa do amor (logo, por causa do cheiro, dos narizes, e do "primeiro casal de bichos"), hão de ser tão velhas que já com nenhuma se consegue ser original. Mesmo com Ana Plácido. Dito o que, o ficcionista iconoclasta prático se vestiu de ...

Postal noturno com chuva

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Ao fixar o instante, inscreve-se na imagem uma intemporalidade marcada pela ausência.   

Tudo

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no devido lugar, diriam os deuses...  

Evidência

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...na montanha fria: O caminho pontilhado Pelas flores brancas.  

A capela

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Cantar a capella , só voz(es). O ritmo cria, mesmo a capella , um percurso, com rumo definido e foco ao fundo. As vozes esculpem relevos de cor, ângulos especiais, portas e janelas. Ao fundo o foco. Isso é comum desde a pré-história: traços indicando um caminho e um destino. Por isso esta espécie de imagem tem sempre sucesso.   

Limites em pedra

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(semióticas de fronteira,  longínquas ondulações interiores)  

Poema

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E há palavras pétreas como conchas desfazendo-se na areia. E há pedras que se movem como caranguejos escondendo-se na areia. E há quem se desfaça por inspiração enterrando na areia o verso e a pretensão. Depois, às vezes bem depois, é que nasce o poema. Sem dizer nada, sem aviso, quase sem palavras. Esquecido.  

Rua do Breiner

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Porto  

Razões

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de sombra  

Primavvera deslocada

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o trabalho da arte  

A unidade na paisagem

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"A unidade da coisa permanece misteriosa enquanto considerarmos suas diferentes qualidades (sua cor, seu sabor, por exemplo) como dados que pertencem aos mundos rigorosamente distintos da visão, do olfato, do tato etc. Porem a psicologia moderna, seguindo nesse aspecto as indicações de Goethe, observou justamente que cada uma dessas qualidades, longe de ser rigorosamente isolada, tem uma significação afetiva que a coloca em correspondencia com a dos outros sentidos." (Merleau-Ponty, Conversas )  

És desconhecida,

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nenhuma língua será capaz de descrever a tua vida  

Caminho longo,

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ascensão difusa. Quando começas nunca sabes no que vai dar.  

O monumento é um traço

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de referência. Posso nem saber quem é a figura estatuída, porém sei que lugar é esse ao ver a estátua. Isso torna o monumento importante: centro, foco, referência, localizador. O monumento é uma maiúscula na rede viária da cidade verbal. É natural que se aproveite para o tornar uma referência partidária, ideológica, nacional, internacionalista, pensando que assim vamos comandar as gerações rumo ao futuro definido. Brincadeiras para tolos. Quando lá passo, o que sei é que estou naquela praça e, portanto, sei por onde vou para chegar à Ribeira, que eu me revejo no cais, abaixo do homem que aponta, olho para o mar à direita e para o rio à esquerda, vejo as águas passar e sei porque estou aqui. A minha memória viva é o meu monumento de referência. Não por acaso (sem o saber?) a estátua me aponta o Cais e dela teço um 'pós-tal'.  

Sempre o grito suspenso

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migrando para os olhos sob a placa implacável daquela obturadora  

Vigor

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vigente  

O detetive

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em ação  

A inconsistência

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da identidade : para seres o que és alguém precisa de te abrir os olhos. Porque não vês?  

Na fronteira invis´vel

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contemplo a noite  

Os livros

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ao sol  

Conferência de imprensa, they say

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press conference com a língua muito enrolada e postura de maus atores em filmes de gangues  

Qualquer frase, qualquer palavra

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reduz ou deforma o sentido, ou os sentidos, ou o acordo de sentidos intelectuais e das sugestões afetivas que a imagem comporta e sustenta. A nudez vale mais que a palavra.