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Auto da visitação

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- a vibração do verbo seria, sem dúvida, originando aliás o que existe e é,   

A coisa

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  Na sua causa A causa   Na sua casa. A evidência  Acesa. A existência  Da natureza  morta .

À desffolhada

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  "Afastado da beleza, o amor torna-se uma atividade doméstica" (Anami Randa, A felicidade dos peixes: Fruto e silêncio duma rapariga sem situação amorosa . Porto: semnome, 2015. - p. 44)

Deu-lhe uma branca,

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  "Formulou o seu último desejo. Viveu livre para sempre" (Paulo Borges. Vida nua: Livro dos Livros . Porto: semnome, 2021. Il. capa e contra-capa Vlad Dumitrescu) (foto minha)

A verdade:

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  (rosca: palavra da língua portuguesa de origem incerta, possivelmente pré-romana)

Ontem

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  A mãe cabeceava com sono. A pele queimou-se nas veias. Agora sentamo-nos ao sol (Anterioridade:  Etali ndania Ndataluka lokusungila Omõla wapia olulela Etali ndania He é he é )

Antera não veio

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(o que tu comes é o que te vai comer - provérbio kikongo)  

Praça de inverno

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"e vejamos na tua formosura o monte e o escarpado donde jorra água pura"  (São João da Cruz - fala da esposa)

A luz

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é um paradoxo

Enquadramentos urbanos

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(as pessoas?)  

No meio, a virtude,

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o vazio no caminho do meio  

Dizia Gurdjieff que

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"Une conscience, qui s’est librement développée en saura toujours plus long que tous les livres et tous les maîtres pris ensemble."  

Janela inalterável

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(naquele dezembro tardio)  

Sob a abóboda métrica

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o ritmo do poeta é um cão vadio com asas (na fotografia uma águia de pedra, sob os pés do santo, na gloriosa entrada mística da Sé de Évora)  

A melancolia

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é uma luz oblíqua (não conhece Amor e não tem reLigião)  

O confessionário

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("este ponto no círculo das idades"... - Almeida Garrett)  

E as árvores precisam de vento

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  para voar

E preciso refletir sobre

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a condição do saber nas sociedades contemporâneas:  

Relações

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encadeadas  

Tribunal da relação:

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jogo de janelas - sem espelhos. É possível?  

Limitar ao essencial

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  é dizer tudo

Memória ágrafa?

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"Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto". (v.  Mt 6,1-6.16-18)  

Pináculo

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que demonstre a originalidade do espírito e a verdade do estilo )sendo a palavra, também, uma das belas artes(  

Francis Bacon, sobre jardins:

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"No que concerne aos aviários, devo dizer que não me aprazem"  

Teus olhos no rio,

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 vou lá beber água

Os alinhamentos

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na luz imóvel da palavra suspensa  

Flores para afeitar

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o vácuo  

Talvez a manhã

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(maybe the morning)  

Dizia alguém que

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a palavra funcionava como um laço  

Não há problema nenhum: o tempo é cíclico mas em linha reta...

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  Perante o longo rio De águas fluentes Mais alto e mais além: 

O problema da literatura pragmática é um problema de plaquetas, é o de,

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apesar da preocupação comunicativa, ela se tornar coagulante ( clique na foto para aumentar )

"Diante de um longo rio

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de águas sussurrantes, ficamos fascinados sem conseguir pensar na sua débil fonte" (Lessing, falando sobre relações entre biografia, leitura e obra pelo exemplo de Homero, citado por Todorov em Os géneros do discurso , «Poiética e poética segundo Lessing»)  

Mais alto e mais além -

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uma divisa desvirtuada. Não tem sentido militar nem ditatorial. É místico o lema. É uma indicação do dever de transcendência, do super-homem para um nietzchiano, do além-homem para um místico. Além do próprio, além de nós, além de «eu», fora disso rumo ao que, sendo altíssimo, é origem, portanto imanente. Os românticos gostavam de dizer: está no 'imo da alma'. A foto, aliás, é de um jardim romântico, o botânico do 'palácio de cristal'.   

O entimema,

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a inferência pelo provável, é também reflexo dos padrões automatizados de perceção. Não se verificando, não se examinando (o sistema percetivo carece de autorregulação), sustenta  o paralogismo, sobretudo na política partidária.  

Literosfera

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com losângulo (Biblioteca Almeida Garrett, Porto - Secção Infantil)  

As gritantes mudas

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 A tua beleza encanta e inflama, A persistente virtude extenua e acalma. Os olhos enlevados não sabem já Com que dizer as belas palavras, nem sequer - por pensar ou por medo ou quase nada - nem Sequer sabem se te viram. Fincam as unhas gritantes dos versos Na alumiada escuridão em que se levanta o sol Por um antigo ritual cuja magia Não teve idade.

Café da manhã

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Na marmórea taça a água morta , António Machado etc.  

Esta é só assim,

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  a igreja aqui na rua dos Bragas, capela do  Convento Franciscano de Nossa Senhora dos Anjos

O enquadramento

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  consiste em: plano e ângulo; o ângulo regula-se por altura e lado. A fotografia pode ser  uma arte desenquadrada.

Arabesco

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floral  

O alvo

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sem pacto ficcional  

Vejo a vida

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 como uma estrada interrompida - e meti por uma picada. (Luandino Vieira. Papéis da prisão . Lisboa: Caminho, 2015, p. 816)

Porque isola um fragmento da realidade

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a fotografia nunca deixa de ser conotativa  

Fundição - corte e colagem

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Para cada amigo tenho sempre um relógio No fundo claro dos meus olhos E o milimétrico sintoma dos perdidos passos. Para cada amigo há sempre Um arco de sombra, trémulo e quente, Um copo de vinho entre as cordas Tensas do destino E as mandíbulas descalças do espanto Que ladrilha os caminhos tépidos da manhã:

A imagem simula

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e esclarece  

Julius Evola:

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"a contraparte da natureza olímpica [...] é a transparência do ser"  

A nostalgia do caminho

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nasce de haver um só  

Solit´rio

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como um post'e  

Novum organon

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Também o ar não pode produzir cintilações pelo simples atrito, como  julga o vulgo. Dessa forma, essas cintilações, devido ao peso do corpo em  ignição, tendem mais para baixo que para cima, e, depois de extintas, resultam  numa espécie de grãos de fuligem (Francis Bacon)  

Segundo os antigos,

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dizia Francis Bacon, "a inconstância perpétua e o juízo vacilante são o castigo daqueles que, com criminosa audácia e esquecidos de sua condição mortal, aspiram às culminâncias da natureza e da filosofia, como se subissem a uma árvore para devassar os mistérios divinos." Ou seja: se te aproximas da sabedoria, não tens palavras nem frases para descrever, não tens ramificações capazes de alcançar o que vês. O erro é tentá-las. Por fidelidade ao que te parece verdadeiro, ou silencias e vês, ou ficas condenado à mudança constante. Porque não há palavras para a culminância, dedicarás a cada instante um provérbio solto. Reunirás os instantes em poemas curtos como folhas coloridas de calendários. A única alternativa à poesia lírica só poderá ser, então. fotográfica.