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A mostrar mensagens de março, 2024

Que a verdade também mente

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(verso do poeta colonial português Tomás Vieira da Cruz em Quissange - saudade negra [Luanda: Lello, 1932])  

Teimam, frágeis,

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as ervas humildes. E renascem, todo o ano, mesmo presas entre o basalto e a poeira de luz De uma placa em Ponte de Lima :  “humildes filhas do povo, que do vasto areal ao pé iam transportando à cabeça o entulho necessário”  - dá numa quadra engraçada, realista, vagamente evocando Guerra Junqueiro:  Humildes filhas do povo, do vasto areal ao pé transportavam à cabeça o entulho necessário - com uma ironia que, essa, não é junqueiriana e também não é queirosiana, mas camiliana...  

Não te escondas -

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somo todos feitos e refeitos com pedaços uns dos outros  - e talvez de nada.  

A utilização da força do sol

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  é o próprio sol?

Assimilações transculturais

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 "to see why and in what manner people often of different stock, with different customs and languages, joined each other, merged with a core group to which they became assimilated but which itself, to some extent, changed in the course of this process" (Norbert Elias no Gana, estudando o povo Krobo ) (O que se vê aqui é um fragmento do bairro da Malagueira, criado por Siza Vieira a convite da Câmara de Évora. O processo começou em 1977 e foi nesse ano que, pela primeira vez, o arquiteto portuense visitou Évora. Entre vários aspetos, é curioso como o arquiteto imaginou essa pequena cidade (o bairro concebido como miniatura urbana) integradora dos mais diversos tipos sociais e familiares. O predomínio claro do branco, vincadamente enquadrado por linhas retas, atira-nos para aldeamentos norte-africanos, espanhóis do sul e para urbanidades antigas do Alentejo, mas estilizando. O aqueduto que atravessa várias partes do bairro recorda o aqueduto de água da prata, de Évora. Devia se...

Não se cria por prazer

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mas por energia. Júbilo ou tambor, mas energia.  

Ouves as vibrações sonoras

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do cérebro? No entanto vibram...  

Constante é o retorno

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à não-existência  

Aquilo que se olha

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e não se vê, chama-se invisível (Lao Tsé, Tao te ching , cp. 14) alternativa ocidental: aquele que olha e não vê chama pelo invisível  

Começarei por dizer que o poema

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 é o oposto do sonho (Nuno Júdice)

Te basta mi Gracia

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(escultura de Volker Schnutgen , 2006: As Portas do Sol. Malagueira, Évora)  

Entrar em silêncio.

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No silêncio denso Da pedra.  

Explosão -

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 Deixa o tempo escoar as perguntas enquanto os rios fluem. Também não pediste para nascer.

Entre o homem e as coisas,

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a perceção nos traz "uma proximidade vertiginosa que nos impede de nos apreendermos como um espírito puro separado das coisas, ou de definir as coisas como puros objetos sem nenhum atributo humano." (Merleau-Ponty, Conversas , 1948). 

Aviso para leitores de poesia doce

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Transmutação (

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 Abria-te como uma pedra E afinal tu é que me abrigaste) pelo poder latente no homem

Dizia-se, além disso,

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  que lhe arrancaram a língua mas não deixou de ser eloquente

Mulher fantasma

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atravessando a campina com o sol  

Agora que subiste a escada

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interior, sem dúvida, 

A propósito das línguas sagradas,

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O muro

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 do cemitério

Concentrava-se na luz

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para tornar-se uma sombra  

Na madrugada

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dos meus olhos pardos, teu sangue errou de veia e me perdeu  

Inserção - poesia visual

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Miguel Gullander ou o perdido de volta

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"Acho que a vida tem mais de ridículo do que de horroroso. As nossas maiores tragédias nascem daquilo que é mais cómico em nós: a nossa estupidez e paralela vontade de auto-engrandecimento."  

Universal e apartidário -

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os nossos sentimentos morais e estéticos  originam-se em perceções  e descobertas florescendo por alimentação de estruturações mentais que todos partilhamos. (recordando George Santayana)  

Apesar de tudo,

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o cenário era pacífico...  

Verás algo terrível

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antes de chegarmos a um equilíbrio  

Junto ao lago de areia

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na manhã sem papel e sem regresso.  

Preciso de subir a montanha

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  para ver o outro lado

A lonjura,

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a única verdade dos caminhos  

Escalar o ermo

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futurando origens  

Ninguém diria

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  que toda a noite partilhámos o mesmo corpo

Embrenhava-se nos matos

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selvagens e porosos em busca de pedras sem dono que levitavam na montanha, sob um céu claro e congelado como versos...  

Tempo suspenso

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Todos esses dias eles desceram sobre o lajedo

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com os passos embevecidos pelos sinais dos tempos, como se a luz da manhã fosse apenas uma qualidade acessória, um adjetivo irrisório. (continua - do vosso lado)  

Quando o amor acaba

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  nenhum poema o salva

Quando o amor acaba

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ouve-se a voz do mar  

Vi, claramente visto,

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o que a marítima gente houve por santo