24/10/2019

Não deu para menos

Às vezes assim, não adianta não querer exagerar, um tenta ser discreto, o outro moderado, mas por mais que diminuísse a cor ela grita enquanto me olha de soslaio - e o cimento envelheceu.

Cais antigo

postal antigo, de novo a primavera anunciando as cores quentes do verão e verão não sei quando o grande mistério do que não se fez e parecia óbvio, mas esses casos de família e de dinheiro eu nunca entendi bem...

22/10/2019

Tarde de chuva

na janela virtual sobre a rua a cortina branca termina em contraste escuro e as cores todas lá fora aguardando que as nuvens partam. Mas ainda não há brisa, nem vento, nenhuma invisível mão desliza para limpar o cenário.

21/10/2019

Picada do mar

No caminho rasgado entre as dunas baixas de erva rala a memória da chuva ainda reflete o céu, mas é também como se o mar ao fundo tivesse crescido e invadido o caminho, picando-o, abrindo-o mais e deixando ali a sua marca, a recordação da calemba, das ondas gigantes que não chegou a fazer.


19/10/2019

Macau

Macau com excesso de cor - na verdade esse dia foi cinzento e nublado, mas havia uma luminosidade inexprimível e a cor estava lá, só quase não se via

18/10/2019

Um estranho no paraíso

Sim, como um estranho no paraíso o fotógrafo chega ali com seu olho mecânico e vê um mundo que nunca viu. As nuvens, de dois tipos, escalonadas por dois ventos diferentes, umas horizontais outras oblíquas, vão abrindo sobre as águas sinais de estradas invioláveis, inacessíveis. O vento, caprichoso, deixa alguns rumos de ausência sobre as águas, como se um rio corresse entre ervas miúdas, como se um barco largo tivesse ali deixado aberto um rasgo plácido. Mas não foi.

Traineira com espuma

atracada, sim, a espuma atracada à direita do barco (à direita de quem vê), a traineira resguardando aquela réstea de memória das águas e das invasões e das inversões das águas, uma espuma densa, viscosa, cor de creme, não tanto natural quanto suja. Mas é uma réstea. AS águas acastanhadas pela vivacidade de maré levantando o lodo, com azul e ilha ao fundo, atiraram a espuma para esse recanto morto e limparam a vista aos homens.

15/10/2019

Velho cais

pela tardinha com suas cores de primavera ainda fria sob o vento gélido de sudeste, um vento que amainou, amansado pelas águas pacíficas onde uma doce visão do céu não concebe as agitadas vozes dos foragidos.

09/10/2019

08/10/2019

encaminhamento

rumo à ilha dos marinheiros, as árvores organizam as sementes para o vento

02/10/2019

ramaria

à procura de frutos futuros ou de nuvens brancas ou da luz do sol, tudo isso, a cabeça no chão escutando a terra e os olhos no céu desfrutanto o mar daquele lado lá, mostrando as ligações entre os elementos contrastantes - preto e branco-azul

01/10/2019

Bifurcação

Cidade de Rio Grande, centro. Fim da Av. Aquidabã e começo da Marechal Floriano Peixoto