Continuo avesso a ler romances, em particular os mais longos. Recentemente os romancistas angolanos mostram tendências acentuadas para a prolixidade e Agualusa vai pelo mesmo caminho em As mulheres do meu pai . Eu, pelo contrário, estou farto de palavrismo. O autor continua a demonstrar uma razoável capacidade de efabulação, escreve com facilidade e várias vezes com beleza, mantendo algum suspense sem exagero. São qualidades a seu favor. Mas não se percebe tanta prolixidade, capítulos ou sub-capítulos perfeitamente desnecessários, alguns sem qualquer relação com os enredos em jogo; não bastando, somos constantemente interrompidos por notas de rodapé que, ou ficavam perfeitamente ao correr do texto, ou não fazem lá falta nenhuma, somando-se-lhe ainda notas de um adolescente que pela primeira vez consulta o dicionário Houaiss (maravilhoso sem dúvida, o melhor em língua portuguesa); por demasiadas vezes as personagens apresentam pensamentos ou falas demasiado longos e literários; parece ...