É comum, e faz um sentido orgânico, as ruas das cidades elevadas descerem, por linhas tortas ou diretas, para o rio ou para o mar, entre prédios de alturas médias ou baixas, os telhados em escadinha conformes às colinas . Isso nota-se bem no Porto, se olharmos a parte mais antiga e tradicional do burgo. Somos da água, somos água, procuramos água, não vivemos sem ela nem sem a correnteza que leva ao oceano e a das marés. Nas cidades com rio, com mar, o porto era fundamental. Por ali chegavam as novidades, parte da alimentação, também os perigos (que se viam do alto), mas os contatos, o comércio, o escoamento dos produtos, a exportação cultural, a importação de contrastes. A cidade organizava-se, muito, em razão de porto. Também é comum a imagem que fazemos do nacionalismo salazarista como protetor do património, principalmente do património histórico, arquitetónico, trazendo-lhe por acrescento um modernismo esquemático, de ângulos e retângulos definidos, algo barroco na sua m...