Provavelmente vocês não conheceram o Paes de Sousa. Sim, o António Paes de Sousa, esse mesmo, o falecido. Nunca o vi também, mas ainda me falaram muito dessa personagem )os velhos(. Veio para Benguela ninguém sabe muito bem de onde, jovem, bem parecido, um tanto vaidoso )defeito que não diminuiu com a vida na cidade, pelo contrário(, estatura média, magro e tez um bocadinho morena. Tinha uma curiosa característica: vestia sempre camisa de manga comprida. Quando nos falava, cerimonioso como os vincos da camisa, olhava perscrutando, como se estivesse a testar as perspetivas. Inclinava por vezes a cabeça ligeiramente para um lado, depois para outro, enquanto fixava os nossos olhos, como se quisesse experimentar uma entrada de luz pelos cantos e vislumbrar o que estava lá dentro. Mas fazia aquilo sorrindo, falando com voz calma, com simpatia, com segurança ao mesmo tempo. As senhoras gostavam muito dele e faziam com que os maridos pagassem bem pelos retratos, excelentes e luminosos, d...