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A mostrar mensagens de junho, 2008

renovação da continuidade

O Presidente deu o mote para a renovação das listas de candidatos a deputados. O partido do Presidente obedeceu prontamente: colocou nas listas a geração mais nova das mesmas famílias que estão no poder e na Assembleia. Entretanto as listas saíram. Havia pessoas lá que não sabiam que estavam lá. A velha guarda conseguiu sair reforçada perdendo membros. A nova geração é mais velha que eu, de forma geral, embora filhos ou sobrinhos de quem está no poder. O resto é um conjunto de rostos sem visibilidade nenhuma, negociatas locais e nacionais de poder, caras que o povo não conhece nem reconhece. E ficam de fora alguns cabos eleitorais importantes. Uma análise das listas de candidatos do MPLA dá nisto: continuam alheios ao país, à sensibilidade das populações e perfeitamente convencidos de que nunca sairão do poder. Vamos caminhando mesmo assim. Fazer o quê?

constant actualíssimo

A inteligência que tudo analisou, semeou a dúvida sobre as verdades e os erros (Benjamim Constant, De la Religion )

deixei de ver-te

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jisabu homenagem a óscar ribas

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3 irmãos

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st

O r (espaço)

mugabe, velho nazi

Uma das razões pelas quais Hitler e o nacional-socialismo alemão criaram as câmaras de gás foi para limparem a população de pulgas, enfim, da sujidade em que viviam principalmente os judeus, mas também os negros, os ciganos, alguns vadios. Um dos ministros de Mugabe (verdadeiro morto-vivo que faz gala do seu bigode à Hitler) justificou hoje o assalto à sede do MDC e a prisão de várias dezenas ou centenas de militantes ali foragidos com a preocupação com a sujidade que havia lá dentro. Recolheram-nos na prisão, naturalmente para os lavarem e limparem a sede do MDC. Não é por acaso que se dá a mesma desculpa. Os ex-socialistas da ZANU-PF fazem gala de dizer ao Ocidente: aqui, se quisermos, somos nazis e vocês não têm nada com isso. O Irão faz o mesmo em relação aos judeus. E Hugo Chávez, se lhe derem margem para isso, não tarda muito a imitá-los. Porque é que o nazismo há-de ser tolerado em África ou simplesmente fora da Europa? Em nome de que tradições isso é justo? Em nome de que passa...

mapa do indo-europeu

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(também não me lembro da fonte deste)

família indo-europeia

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(também não me lembro da fonte)

notícias de longe

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mapa das grandes famílias linguísticas africanas (já não me lembro de onde tirei)

jes

Ponto a favor de José Eduardo dos Santos: a mukanda para Mugabe, descendente do chefe dos últimos invasores não-europeus do velho Zimbabwe.

raid nocturno

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barack obama

O que move Barack Obama é um problema identitário. Um problema que seria totalmente diferente se ele fosse angolano. Os negros acharam-no sempre meio branco e os brancos acharam-no sempre negro. Nos EUA não parece (já é teimosia) existir palavra para mestiços. Depois dos direitos iguais para negros e brancos é preciso reconhecer essa identidade, hoje talvez maioritária nos EUA, que é a dos mestiços. Na autobiografia agora reeditada é isso que fica nítido: um homem luta, consigo próprio e no mundo, para perceber o que é e o seu problema é ser um bocado uma coisa e um bocado outra, melhor, é ser obviamente mestiço. Todos somos mestiços, costuma-se dizer. Mas esses todos inclui negros, brancos, amarelos, vermelhos e... mestiços, não é? Os EUA precisam de repensar as vertentes humanas que os compõem e de adoptar o termo próprio para esse vasto segmento da sua população, onde se inclui grande número de afro e euro descendentes, de descendentes de latino-americanos e alguns ainda de ascendên...

electricidade e futebol 2

Ontem houve jogo e a luz não falhou: falhou Portugal. Hih!

a traição à Europa

O 'não' dos irlandeses tirou-lhes completamente a máscara - depois da França, dos Países Baixos e da recusa das restantes lideranças em exporem o Tratado de Lisboa a uma consulta popular já quase não faltava nada para se mostrar: a governança europeia estava de tanga, um pedacinho de pano muito estreito e puído escondia as últimas 'vergonhas'. A democracia, soi-disant , reduz-se cada vez mais à liberdade de falar. Como avisaram muitos, este pequeno lapso de liberdade e auscultação da opinião dos povos estava a acabar. E tornou-se evidente que já terminou. O povo disse 'não', a maioria de uma nação disse 'não'. Isso implica legalmente o fim do Tratado, mas a elite diz que o Tratado não acabou e o povo não sabe que vai dizer que sim. Caso não haja contorno possível (adendas, anexos, etc.), para fazer com que um 'não' seja um 'sim', faz-se outro referendo, e outro, e outro, até se dizer que sim, como acontece com todas as matérias em que as ...

perseguição do azul

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cinza

E tudo se consumiu. A cinza ainda queima, o vento chora, procura, sabe que ali houve uma fogueira... (Humberto Ak'abal, Guatemala)

humberto ak'abal

SONHO Todas as noites, Enquanto durmo, Construo uma casa.

desembarque

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viriato da cruz - o homem e o mito

Dia 18, às 18h, no Museu República e Resistência, em Lisboa, lançamento do livro «Viriato da Cruz: o homem e o mito», apresentado pelo Prof. Dr. Adelino Torres. Trata-se de um livro colectivo sobre a pessoa e a obra de Viriato, que inclui informações e cópia de documentação inédita, testemunhos de contemporâneos e muita informação adicional, para além de estudos aprofundados sobre a sua vida política. Fundamental para conhecer a vida do autor de «Namoro» e do criador e maior teórico do nacionalismo marxista angolano.

ar condicionado

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canção do pelicano - a camões

Com pés de barro e braços de cera,  Com a chave do óvulo nas margens do Nilo,  Com pés de enxofre e braços de sal,  Com sete puras incisões e a luz em sangue Derramando; com as entranhas em fogo  E a lagoa reclinada a ocidente,  Com a leve aragem que busca a tua mão sulina  E agita levemente as águas como quem chama por ti; Caminharei, de olhos vendados ainda,  À sombra da estrela flamejante, nas asas cor de rosa  Do entardecer, no serpentino refluxo  De mercúrio. Palavra perdida no mapa astral,  Com os braços cruzados e as pernas recolhidas  Como um deus numa semente: caminharei.

assassinato de agostinho neto

Na UNITA, nos tempos em que nela me integrei, sempre ouvi dizer que o Agostinho Neto começara, pouco antes de morrer, a tentar a paz com Savimbi e este estava disponível para negociar. Agora o livro do general cubano del Pino dá-nos contornos concretos disso mesmo e parece confirmar que Neto foi mesmo assassinado. O que os russos não conseguiram com o 27 de Maio, conseguiram no ano seguinte, já com a anuência dos cubanos, porque Neto mostrava alguma independência nos seus contactos internacionais e na gestão interna da guerra. Levaram-no, separaram-no do médico pessoal e mataram-no. Eduardo dos Santos, bem mais diplomático, prudente, realista e moderado que Nito Alves, ainda que sem o seu carisma, mas tendo estudado na URSS e tendo mulher soviética, foi o escolhido para suceder a Neto. Hoje ele é outro homem, porém na altura a guerra prolongou-se até o MPLA ser obrigado a fazer a paz, ou tentar, em 1990. Afinal havia rumores certos naquela UNITA.

lobito

Flamingos na restinga De sotaina branca ondulam sinos Em brasa na ferrugem dos portos; Capas de reis cobrem as areias Fálicas do escolho, da língua Ventríloqua lambendo o mar; A crosta queimada pelo sol Arpoa os bicos estendidos, deuses vigiando as águas Esguias como palavras.

tipografia experimental

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Trabalho muito interessante de Jiyeo Song, que se pode consultar em O b v i o u s . Conforme as horas do dia surgem palavras (e frases) diferentes no chão. Fica só uma imagem, que a ligação aqui está cada vez mais lenta (será preparação para as eleições?).

o fermento

Só, depois da chuva, no silêncio espesso — Tardias gotas sobre o chão, Esguias e pássaros coados — Rescalda a luz dos olhos sobre as casas. Regresso incógnito e banido No trágico teatro da coragem — Lá, Onde um canto imoral e sem grandeza Cobre o asfalto indiferente e escasso, A esbatida cal dos muros baixos, Maleáveis, Ignorando que mundo continua No desbordo curvo das ruas, na viúva Praia A fermentar.

jameson benguelense

Uma garrafa de Jameson custa actualmente 1.283 kwanzas num supermercado dos mais caros da cidade. Nos bares o mesmo uíski é, geralmente, vendido a 600 kwanzas a dose, 'por ser irlandês' (excepção feita ao bar e restaurante Tropic: 300 kwanzas a dose). Ou seja: duas doses praticamente pagam a garrafa do supermercado (preço para cliente comum). E ainda te servem, na maioria dos bares, sem medida, um fundinho de copo como dose 'simples' - uma invenção própria de tasqueiros (dose é dose, não há simples nem complicada, serve-se a mesma e cobra-se o mesmo). Alternativa: black e red label carrascão, origem sul-africana, ressaca inigualável. Ainda assim 300 kwanzas a dose, melhor servida.

comércio benguelense 1

É simples: importas tudo o que podes. Tens desconto no país de origem porque, sendo para exportação, não pagas IVA. No entanto sobrecarregas o preço na factura de origem com pelo menos o factor 3 (x3). Os dois que ficam a mais o teu fornecedor passa para a tua conta privada. A mercadoria chega com o preço alto e mostras a factura ao cliente para provares que não estás a roubar. Resultado: os nossos preços. Absurdos. E os produtos nacionais, como as madeiras de Cabinda por exemplo, substituídos por internacionais de menor qualidade. Bonito de se ver. Os maiombolas só querem percentagem, não te rales com isso.

futebol e electricidade

Que os angolanos acompanham muito o futebol português e não só, toda a gente sabe. O que não se sabe é que os maiombolas não gostam de futebol: cada vez que um jogo é muito aguardado a luz falta na cidade a essa hora. As más línguas dizem que são os empresários dos restaurantes e bares combinados com os funcionários da empresa de electricidade. Mas elas não conhecem os maiombolas...

curso de literatura brasileira III

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rené daumal a guerra santa

"...a nossa grande doença é tapar com palavras para não ver" (transcriação de A. Barahona, Lx.ª, Assírio & Alvim, 2002, p. 25) "Olhai a linda paz que me é proposta. Fechar os olhos para não ver o crime" (id., p. 35)

miga banto

Deliciado nestas terras a comer o meu bom funge de galinha, carne seca, ou peixe seco, fui surpreendido por Ladislau Batalha, judeu errante e assumido, socialista, anarquista, ecologista sem o saber como o são os autênticos, que deambulou por estas costas negras uns quatro anos à procura de fortuna após uma falência estúpida em Lisboa. Escreveu umas cartas a um amigo curioso sobre Costumes Angolenses , que se tornaram muito proveitosas ao povo e às escolas. Fico surpreendido porque também ele comia muqueca – de peixe, claro. Sei que não é a brasileira mas a nossa, daqui, onde a banana frita e a batata doce criam no estômago a crosta conveniente às derrotas do vinho tinto carrascão, comprovado que está que o peixe não puxa carroças como se diz em Portugal. Então e não é que o avô Ladislau vem de Lisboa ao mato angolano para encontrar a muqueca feita com peixe do rio e, pasme-se, pão amassado para acompanhar?! Quando era miúdo pensei que a minha avó tinha trazido isso da sua Beira serr...

poema disperso de mário antónio

13. Milenka, o teu mar, húmido Tão largo como a gare Vazia numa madrugada, Fica preso do que não se esperava: Dois rostos apontados a horizontes opostos Buscando, Milenka, o uno Que somos, divergentes. Milenka, somos Jano ou somos Juno Nesta gare já cheia? (in Colóquio Letras , n.º 72, março 1983, Lisboa, FCG, pp. 69-71)

soluções ecológicas

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obras secretas

A notícia descia do rádio para o chão como um raio de luz: finalmente vão asfaltar as ruas da cidade. O próprio ministro das obras públicas veio dar a notícia, já que se trata de um projecto do governo, e foi secundado por todos os maiombolas d'Ombaka. Mas cada manhã tem sua nuvem, cada luz a sua sombra. Afinal só nos deram 30 km de asfalto, o que não é nada para o que falta fazer. Será por causa da alcunha do Maiombola (30%)? Não sei. Qualquer coisa já dá para pensar que vão fazer tudo. Mais ainda que o prazo para o fim da obra é só em Dezembro, quase 4 meses depois das eleições. Até ao voto basta mesmo tapar uns buraquinhos para os carros do governo sairem rápido e chegarem rápido, são os tempos da campanha. O povo olha aquilo e pensa: sim, senhor! agora é que vai ficar bom! Como se não bastasse, o clímax: o montante total a gastar com essas obras não será revelado. Com as eleições próximas talvez não fique bem imaginarmos as comissões.

condicionamentos

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caligramas de anita toutikian

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... No Líbano. Pelo que li em L'Orient le Jour trata-se de uma exposição muito interessante. Quer pela transversalidade cultural (experimentada no trabalho visual e criativo com a letra J), quer pela maneira inovadora e sólida como relaciona, artisticamente, o verbal, o visual e, mais genericamente, o mundo dos símbolos, as semiosferas do 'Ocidente' e do 'Oriente'. Vale a pena ler o artigo.

lançamento da nova águia em évora

A rampa de lançamento será a Universidade de Évora. No dia 3 de Junho. Consultem o blogue da revista. Há boas surpresas.

poesia de adelino torres - último verão

Chegou o estio a arrastar o bafo quente da ira em desespero de fogo quando os espíritos do mal passam rente ao sofrimento num cosmos desordenado que enlouquece a verdade na confusão do sentido, matando o perfume antigo do musgo nos muros velhos e a música que as ervas cantam ao renascer de manhã na planície da ausência onde agoniza a saudade, estrangulando em silêncio o que ficou por dizer por detrás da aparência que esconde dissimulada o ardil da violência, e a palavra não dita que se usou sem ser usada deixando pelo caminho o amargo sabor do nada...

poesia de adelino torres - tempo dos «ismos»

Chegou a nave dos loucos que fundeou na baía ondulando mil bandeiras uma nova em cada dia não tem mastro nem velame tripulada por fantasmas em tempo de assombração almas mortas que mataram a razão da rebeldia e a vontade da razão

poesia de adelino torres - sobrevivência

SOBREVIVÊNCIA Enganar a solidão é viver uma segunda vida numa passada dormente à sombra da sombra escondida do lado de lá da lua a tentar matar a morte sem perecer no caminho de uma noite indiferente como um cão agonizante a uivar sozinho...

poesia de adelino torres - aforismo

ATREVIMENTO É sempre sob a forma de um saber que a ignorância vocifera.

poesia de adelino torres - extracto

Dos velhos alfarrábios saem vozes antigas que sussurram pensamentos a moldar a vida e percorrem estradas verticais até ao tecto entoando músicas ausentes que vibram em surdina como se não estivessem lá de sentinela a guardar fronteiras incorpóreas em castelos erguidos sobre nuvens com raízes que mergulham no coração dos homens. (do poema «Vozes»)

poesia de adelino torres

A Editora Colibri e a Livraria Buchholz têm a honra de convidar V. Exa a assistir ao lançamento do livro de poesia Uma fresta no tempo da autoria de Adelino Torres. A obra será apresentada pelo Professor Alfredo Margarido (Universidade de Paris). A sessão terá lugar na Livraria Buchholz na 2ª feira dia 16 de Junho 2008, às 18h30.