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A mostrar mensagens de agosto, 2023

Como quem faz uma pergunta -

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sem chuva  

Poema indiscreto

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Fui à cidade. Esperei.

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O dia partiu e  Tu não viesse...  

Partida matinal - o sol:

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um heroísmo vital rasga suas túnicas  

E, porém, toca!

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Distopia

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Bem sei, olhando pra minha cara tão evidente, que passei a noite em cotovelos sob os olhos. Em quanto, sobre o vinho perdido, ainda inutilizando os sentidos, abrias um bocejo de ressaca e deitavas a cabeça no copo vazio. Só eu vi desabrochares, de mares submersos em noites agitadas, extintos paraísos com o rosto amargo do amor. (flutuações e colagens com versos de Cecília Meireles)  

Havia uma janela,

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mas não se via nada  

Em concha

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no tempo dos samurais  

Friso. Delicadez antiga,

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telúrica, primaveril, não propriamente o arabesco (esse é muito abstrato, platónico, de padrões extraídos por dedução das formas naturais. Atingem uma densidade simbólica muito elevada, mística também, mas perdem a graça da seiva, a frescura das folhas vivas, dos cachos de uvas ou de flores).  Não, essa delicadeza antiga respeitava acima da forma a vida, flutuante (no título escrevi "delicadez" de propósito)  

Mãe, é muito velho este senhor!

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Quando os antigos pés ensombram

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os ritmos da poesia coloquial  

Enquanto as buscas

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permanecem infrutíferas,  

Fica bem, arrumada na parede branca, logo quando se entra.

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Mas tiras-te-lhe a cor e ela também ficou sem vida. Como a bela parede branca  Onde o sol vem deixar a cor Do ouro ao fim do dia.  

Nada surge sozinho -

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muito menos os caminhos.  

Não dá para contar

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Jogo tardio

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Limpar o cabelo no vento

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A mãe

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Vês um rosto: não passa. Voltas e re-voltas, invertes e pervertes. Aquele olhar e a expressão do rosto inteiro fica. Instiga. Tiras a foto: foge ao tempo.  

Contrastes humanos em Luxor

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...em janeiro de 2011.  

Perdidos na via

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Vozes arcaicas

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Chamam por mim Vozes arcaicas, Origens obscuras, Sem registo De batismo Na correnteza Dos impérios E dos deuses.  

Essa palavra Graça,

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assim com maiúscula e não sendo o nome  da mais bela que passa,  não tem mediação verbal: é a tangência imanente de tudo quanto se ergue e faz sorrir. Por isso é também o nome da mais bela que passa.  

Cais de não haver mar

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O amor e o conhecimento não se dão sem uma abertura ao imprevisto, uma inocência infantil ainda. Nesse instante, as pessoas são como cais de não haver mar. O mar irrompe depois, a maré cheia alaga os neurónios da perceção. Quando voltamos a sentir um vazio, nem sabemos muito bem o que se passou. Tudo o que tentamos em seguida costuma ser só uma tentativa de explicar, ou de recuperar, ou de compreender intelectualmente o que, para acontecer, só foi possível em estado de infância e de virgindade ~  

Passaram reis coroados de couro -

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o eco do corpo, súbito pássaro no próprio vento por altas nuvens silenciado (brincadeira com versos dos poemas Metamorfose e Despedida, de Cecília Meireles, Viagem )  

Ó náufragos da espera,

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(sistemáticos caminhos, o que anda fica longe)  

As mãos cheias de areia,

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a voz gritando por nuvens  

Se é possível ser e não-ser ao mesmo tempo,

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talvez falemos do Espírito, uma espécie de sopro que percorre o universo e nós próprios, uma espécie de vibração que atravessa todas as dimensões e, portanto, está na matéria e na não-matéria, perpassa nelas ou também participa delas. Nesse caso, o Ser não é Ser e não-Ser, é só Ser. O que é o Espírito? - muito abstrato, me dirias, em prosa dura. Mas como pode ser abstrato aquilo de que falamos sem nunca termos visto e nunca deixarmos de falar nisso? Como dizem na tua terra e sabem os índios: não há fumo sem fogo. Não lutes com a tua sombra.  (excertos do Comgresso)  

O poema do mar é contínuo,

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multímodo, recorrente e imprevisto. (clique sobre a imagem para ampliar)  

Ultrapassar os limites

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por amor à verdade  

Dizia um velho amigo:

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  O mistério é a liberdade

Um dia viremos

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vestidos de algas (Mário Quintana)  

Vibração da palavra branca

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na longa estepe morta  

Amanheceu

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sobre a estranha sombra de vento  

Já não me lembro da paisagem

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No tempo em que o mar

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nos vinha visitar  

Mercado central

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(Cassino, Rio Grande, Rio Grande do Sul, Brasil)  

Fui lá de manhã,

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y  

Foi um grande ano, aquele...

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Até o sol nascia todos os dias  

Vindo do céu

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Vibração

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- podemos medir e tirar a média (frequência, posição, ritmo, intensidade), mas uma vibração é só feita por oscilações e nós somos uma vibração  

Gosto da tua janela

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A explicação satisfatória

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é aquela que nunca se separa do objeto. Miticamente, ficam tão ligados que a mais mínima palavra significaria quebraria, criaria diferença, vincaria separação do discurso relativamente ao seu foco. Nesse caso, fiquemos em silêncio por um tempo  

sub-metro, in-metro

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Árvores em rede

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e nuvens de passagem  

Firme pelos caminhos

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passo leve e elegante,  

Uma flor no Kremlin

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(não é a alma  que é estranha a este mundo)  

Cidade quadriculada

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Escuta, um pássaro

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no lago  

Da fala no poema

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(paisagem alentejana)  

Como se fosses nuvem

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