21/09/2019

Barcos na linha do horizonte

À direita, a ponta do porto antigo, junto ao Museu da cidade de Rio Grande, onde fica também ancorado o barco de pesquisa da FURG (Universidade Federal de Rio Grande). 
Mas o interesse da foto não está aí, resulta da articulação dessa sinédoque do porto com a totalidade da imagem. À medida em que o olhar se desloca da esquerda para a direita a imagem escurece, como se a noite se pusesse do lado do porto, dos barcos, dos trabalhos e à esquerda restasse ainda um pouco de luz identificando a linha do horizonte e as vagas suaves do lago que parecem vir de lá. O escurecimento à direita favorece o efeito de contraste, criado pela luminosidade que incide sobre o casco dos barcos ancorados - ancorados à luz, como se.

20/09/2019

São José do Norte

A cidadezinha lá ao fundo, onde acaba a língua de areia que vem do paralelo de Porto Alegre até aqui fechar a lagoa, deixando só uma estreita passagem para o mar. Uma vila pequena com um portinho recolhido e acolhedor, ondulações arenosas para trás das casas até ao mar, largo e, um pouco ainda a sul, algumas instalações de um projeto de pólo que ficou pelo caminho nestas transações e crises da política e dos dinheiros. Uma cidadezinha pequena com uma grande e bonita igreja, abaixo da qual se posicionou um largo muito bem cuidado e arborizado, criando um centro hoje pouco frequentado mas bonito, acolhedor também. 
A foto foi tirada do cais do porto velho de Rio Grande, que fica em frente. Sítio da Prefeitura aqui.

16/09/2019

No bosque

varando as sombras com a lâmina de vidro
...num dos pequenos bosques que alternam com edifícios e ajardinados no campus da FURG. É realmente um campus bonito, bem concebido em termos estéticos, agradável e que predispõe a caminhadas, bem como a circular de bicicleta. Mesmo os edifícios menos bonitos, enquadrados como estão, resultam bem, não desfazendo o efeito de conjunto. 

15/09/2019

Cais velho - Rio Grande - RS - Brasil

Rio Grande - Brasil - desurbanismo. Conforme as atividades pesqueiras e portuárias se foram afastando do antigo centro da cidade, os locais ficaram num regime de semi-abandono ou, pelo menos, com utilização de costas voltadas ao antigo porto. Os antigos armazéns, uns poucos parecem abandonados, outros ocupados com traseiras de instituições oficiais e de lojas, outros ainda com garagens. O espaço entre o cais e os armazéns ficou baldio nesta zona. Dele sai a água para lavar as traineiras (barcos de pesca) que ali vão fazer ainda lavagem. Mais para o fundo está o primeiro porto e cais, onde ainda funciona um mercado de peixe, entre o edifício da Biblioteca Rio-grandense e o do Mercado (este com alguns restaurantes e lojas tradicionais). Esta zona, entre o mercado do peixe e o chamado 'rincão das cebolas' (reentrância com doca para barcos pequenos e passeio ao fim da tarde, até onde atracam os barcos de pesca - do lado do lago, não da doca- e onde antigamente vinham vender produtos agrícolas da vizinha ilha dos Marinheiros), essa zona podia ser aproveitada para criar um espaço cultural e de boemia, mas ficou assim. Junto ao Rincão das Cebolas há alguma atividade aos fins de semana, durante as tardes, com pequenas vendas, crianças usando equipamentos ali postos para elas, uns poucos adultos aproveitando equipamentos para ginástica, tudo num espaço reduzido, que podia ampliar-se com palco ou palcos para concertos e revitalização da zona dos armazéns, com restaurantes e bares voltados para a Lagoa dos Patos.
Mas nada disso acontece. Tal como sucedeu em várias cidades-porto, o afastamento do porto deixou a zona envolvente semimorta. Apenas o centro comercial e bancário da cidade se mantém ativo, embora enfraquecido, mas desligado da antiga zona do porto, que se estende bem mais para o fundo, onde está o Museu da Cidade e o edifício da Alfândega - cujo pátio podia ser também usado para atividades culturais - e mais além ainda.  

14/09/2019

Memória do caminho


Av. Rio Grande Cassino, RS Brasil. A Av. está bem concebida, com uma larga faixa a meio onde cresceram as árvores e há equipamentos vários, incluindo pista para pedestres e bicicletas, bancos para descanso, pequenas estruturas de base que servem a festas, atividades culturais, dinamizações do espaço, principalmente ao longo do curto Verão. 
Não se tendo desenvolvido o turismo internacional na região, que podia reutilizar e revitalizar o centro antigo e o porto velho, também não se desenvolveu a pequena urbanização (que no entanto vai crescendo, se transformando lentamente em subúrbio de ricos e remediados) a que se deu nome de Cassino e que tem uma longa e excelente praia, onde qualquer carro pode rodar sobre as areias duras, que durante muitos anos serviam de caminho para o Uruguai. 
No Uruguai, precisamente, se encontra o exemplo oposto, com a criação do pólo urbano e turístico de Punta del Este, que o Brasil podia ter igualado ou superado, justamente aqui. 
O centro do Cassino se resume a esta longa Avenida, bem arborizada e realmente bonita, que leva até ao mar. Para os lados as ruas perdem asfalto, ficam enlameadas quando chove (e aqui chove também no Verão), as águas escoam em parte a céu aberto, em valas contornando as casas, enfim, há uma ausência gritante de planejamento, estratégia e sustentabilidade. É uma pena, para um lugar tão bonito.