o fermento

Só, depois da chuva, no silêncio espesso

— Tardias gotas sobre o chão,

Esguias e pássaros coados —

Rescalda a luz dos olhos sobre as casas.

Regresso incógnito e banido

No trágico teatro da coragem

— Lá,

Onde um canto imoral e sem grandeza

Cobre o asfalto indiferente e escasso,

A esbatida cal dos muros baixos,

Maleáveis,

Ignorando que mundo continua

No desbordo curvo das ruas, na viúva

Praia

A fermentar.

Comentários

  1. Que o canto bom chegue forte e harmonioso, e a coragem -muita- não deixe de estremecer a alma com poemas como este. Que podamos encontrar-nos à volta dalguma curva.
    É sempre um descanso para a alma e uma vibração no sentimento entrar neste espaço azul.

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