Depois da intransigente crítica ao direito de ingerência, que é uma atitude de defesa, os ditadores passam ao ataque e abertamente mostram que, sejam marxistas ou anti-marxistas, a sua família é o clã sobre o qual se ergue uma despudorada monarquia. Passa-se do direito à não-ingerência para o direito à intocabilidade. Por isso um filho de Kadafi é intocável: pode tratar as empregadas e os empregados como escravos em qualquer parte do mundo. O direito dos países onde se encontra não tem de ser respeitado por ele, porque isso é falta de respeito pela sua pessoa. A maninha advogada vai à Suíça e ameaça: olho por olho, dente por dente. Aquilo de que precisamente tanto acusaram Israel. E, claro, o olho menor de um europeu é igual a todos os olhos juntos de um líbio. Por isso, a ofensa que foi defender dois empregados de agressão deve ser reposta com manifestações populares, corte de relações económicas, mais ameaças, prisão de estrangeiros, etc. É preciso mostrar ao mundo que no nosso clã ninguém. A ingerência interna dos europeus não é no nosso território, é sobre o nosso clã. Onde o clã estiver os europeus não podem mexer - ainda que seja na Europa. Isso ofenderia as nossas tradições seculares. Há que respeitar o outro. Se damos porrada nos nossos criados é um problema nosso.
Afinal, o que estava por trás de tanto nacionalismo e socialismo era só a recuperação de privilégios típicos dos escravocratas antigos. E Ocidente irá, com pezinhos de lã, pedir-lhe desculpa? Colocá-lo na comissão de direitos humanos da ONU? E aquelas histéricas jovens esquerdistas vão continuar a guardar o seu poster à entrada da sala?
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