07/09/2009

Intelectualidade e Mentira

Não é intelectual quem quer, é preciso também um conjunto de capacidades cognitivas e morais que, agregadas, fazem de nós intelectuais. Os que põem à frente de tudo o desejo de ser intelectuais, porque parece bem, porque lhes dá autoridade, prestígio, etc., notam-se logo porque forçam as coisas e, o mais grave, desde o início forçam a verdade a ser o que não é, melhor, a ser o que lhes der jeito a cada momento. Entram para as academias, universidades, institutos e começam por introduzir a mentira sob as mais diversas formas. Exponho algumas que pessoalmente pude comprovar, algumas vias usadas nas academias portuguesas para mentir (e falo das portuguesas porque as conheci melhor, trabalhando nelas mais de 20 anos): 1) escrever cartas anónimas caluniando colegas; 2) escrever cartas secretas intrigando colegas; 3) impedir colegas de falar em mesas-redondas ou debates pós-comunicação sob pretextos vários mas apenas por se prever que nos venham desmentir; 4) usar sofismas para dizer que a verdade não o é; 5) os mais toscos dizem diretamente ser mentira aquilo mesmo que estamos a ver, como o marido apanhado na cama com outra diz à mulher que "não é o que estás a pensar"; 6) dizer que não existe o que não conhecem; 7) dizer que leram livros que não leram e dar opiniões de cátedra sobre eles em conversas de corredor ou de café, por vezes mesmo em comunicações. Neste 'blog', diário fragmentado e conventual, não se mente. Apanham-se fragmentos do quotidiano que suscitam reflexões através da imagem ou da escrita e partilha-se (daí o conventual) a reflexão com os que nos visitam.

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