28/10/2020

Sob o impulso da noite: a aba

 A aba do chapéu, o regaço, as fraldas do vestido tomadas na cintura a fazerem regaço, viriam, segundo D. Francisco de S. Luiz, do hebraico hhobah, cujo significado era ‘acolher, proteger, dar abrigo’. Mas o autor carrega muito nos [h] e puxa o que pode para o hebraico[1].

O Dic. Aurélio fala no ár. Ab*, que designava um manto ou capote de lã grosseira, usado por árabes e persas. Realmente o capote seria acolhedor, protegeria do frio e abrigaria da noite.

Mas aba inclui também, no seu campo semântico, as fraldas ou faldas dos montes, a orla das praias, a margem, a costa, as abas dos rios, os arredores, em torno de[2]...

Resumidamente, o que envolve está na margem.

 



[1] Glossário de Vocábulos Portugueses derivados das línguas orientais e africanas, excepto a árabe, Lisboa, 1837, p. 1 (obra publicada com o patrocínio da Academia das Ciências e impressa na sua tipografia).

[2] Roquette, J. -I. e Fonseca, J. da, Dicionário Poético e de Epithetos, Paris; Lisboa, Guillard, Aillaud & Cia, sd, p. 1.