era assim?
O caso gerou polémica, nas ruas apressadas da política do Porto e nas mais apressadas vielas a que se chama com dignidade 'redes sociais'. Claro que ninguém sabe, além de Camilo, qual o corpo que ele sentiu quando abraçou a Plácida senhora nua (se é que alguma vez a abraçou toda nua).
Essa é a 'musa', na tradição formal e canónica das estátuas femininas da Grécia e de Roma antigas. A musa no caso dele encarnou definitivamente (encalhou? desembarcou?) em Ana Plácido e não deve ter sido só pelo corpo, ou nem pelo corpo. Camilo, de resto, parece ter tido amores estranhos, a que era alheia a forma do corpo. Engraçado que na estátua de Francisco Simões, executada e concebida com rigor semiótico e artístico, a capa cobre o escritor, mas a musa fica exibida na sua nudez, a capa não cobre nem esconde o corpo refulgente quando lhe dá aquele sol do Porto ao entardecer algum laivo de luz entre loira e ruiva sobre as nádegas, ou sobre a pele que reveste os glúteos e não tem rugas. Cobre-a, tal e grossa capa, dos joelhos para baixo. Não deixa que os pés apanhem o frio chão da Cadeia da Relação.
Não sendo esse o rabo de Ana Plácido, em que formosa senhora se terá inspirado o nobre escultor? É que ela merece outra est´tua. É bela. O nome dela não vem ao caso, nem o seu bilhete de identidade.
