Mensagens

A asfixia do processo prévio na arte fotográfica

Imagem
  Como em quase todos os ramos artísticos, o século XX valorizou mais o processo que a obra. Em parte isso deve-se aos avanços tecnológicos e científicos. No caso da fotografia, estando ainda muito próximos os procedimentos iniciais e havendo já condições para trabalhar criativamente com eles e com os contemporâneos, a preparação do momento do 'clique' (por agora, chamemos-lhe assim) concentrava as atenções. Os grandes fotógrafos não deixaram de pensar previamente a obra, mas não sem se afastarem da imagem que tinham em mente, que era a verdade artística a representar.  Os ideólogos, partidários, conteudistas, organizavam a imagem prévia e o processo para a fotografar, de maneira a fazer o resultado coincidir com a mensagem. Aproveitam lições do teatro e do cinema. Num retrato, por exemplo, o gesto, a expressão dos olhos e dos lábios, a posição do rosto, a incidência da luz, o ponto de vista, a anulação do ruído pela sombra e qualquer elemento remetendo para a historicidade, o...

O que interessa à arte

Imagem
é a visão mais íntima, a primeira, mais próxima da sincronia do espanto - e a harmonização do espanto, não pelo olhar frágil e fatídico de Orfeu para Eurídice depois do milagre, mas pelo deslumbre, quer seja dolorosa ou não seja a descoberta. A convicção pelo deslumbre, seja ele um soco ou a explosão de uma estrela, é que determina a obra de arte e orienta o processo artístico nas suas articulações todas. A verdade, neste caso e critério, não coincide com a realidade. A verdade é o que leva à criação. Daí que Truffaut diga " que ao longo de toda a nossa vida, nos tornamos pessoas diferentes e sucessivas, sendo isso que torna tão estranhos os livros de memórias." A arte é um amor viandante. "Ao respirar, o tempo conspira" (em comversa, por ele desconhecida, com Pedro Martins sobre a filmografia marrana de Truffaut. Livro a sair: Israel, minha vaga estrela , por Pedro Martins, na Zéfiro)  

Moer o vento

Imagem
no cimo da noite  

The photographer monism

Imagem
- o princípio da reprodução -  

Não conseguimos olhar

Imagem
os lírios do campo, como se erguem, vivem, criam, morrem - "crescem; não trabalham nem fiam". Por isso esquadrinhámos o espaço. No começo, era só para nos protegermos melhor. Porém ficou, desse medo, algo muito nosso, muito humano, que nem sempre conseguimos expressar mas nos traz 'a alma' de uma cidade, com sua história, sua maneira de enquadrar o vazio por linhas retas e cruzadas, que vê cada um com lentes próprias. Alongava-se dos dias anteriores um timbre pardacento, mas, excecionalmente, não naquele instante. Por nenhuma razão excecional. Apenas assim - diriam os lírios do campo.  

Se a percepção exterior

Imagem
[...] provoca em nós processos que a desenham em linhas gerais, nossa memória dirige à percepção recebida, por semelhança, antigas imagens cujo esboço já foi traçado e guardámos. Ela cria assim pela segunda vez a percepção presente, ou melhor, duplica essa percepção ao lhe devolver, seja sua própria imagem, seja uma imagem-lembrança do mesmo tipo. Isto foi escrito por Henri (Henrique) Bergson (o filho da montanha), que deve ter visto lá do alto o sol a erguer-se, com ascendência judaica e sobrenome de origem médio-germânica.  É surpreendente, para um leigo como eu (alguém que não sabe mas colhe), que a neurobiologia venha confirmar e precisar isto mesmo no século XXI. Essa afirmação bergsoniana, para a teoria da arte ou da leitura, é a base de tudo quanto se possa dizer dentro de tudo quanto se possa constatar em ciência. O primeiro movimento é o da primeira criação: abertura à perceção (que também pode vir de sensores atentos aos órgãos internos do corpo), espanto, visão prim...

Nem uma paisagem cabe

Imagem
na concha da memória  

No caminho do campo

Imagem
havia uma torre (era a torre do Martinho - diz a bela camponesa)  

O dia nasce

Imagem
sem etiquetas  

Nenhuma identidade nacional

Imagem
ou partidária se define como 'alma' ou 'essência' da pessoa. A pessoa é própria e intransmissível. Além dela, vê-se o mundo. O que somos só nós sabemos (e não de tudo). Eu, por mim, prefiro ser mais o que vejo, mas nunca me dispenso nem me ignoro.