diário fragmentado e conVentual, exposto por imagens. Clique nelas para ver em tamanho original.
Publicação em destaque
Átomos estéticos são também cognitivos
“Quando vemos algo além de nossas expectativas, pedaços locais de tecido cerebral geram pequenos ‘átomos’ de afeto positivo. A combinação ...
04/04/2009
03/04/2009
02/04/2009
30/03/2009
tomás jorge tu és a verdade
Tu és a verdade
Torne e não se acabe
O que bem te cabe
No que te arde
Neste voar de ave
A ciciar desejos
Espero-te a cantar
Do que se sabe
Com palavras de beijos
Respirar na brisa
Nos dedos do vento
Sinto a tua carícia
Ainda longe pressinto
Que vens suave
Peço que não tardes
Torne e não se acabe
Vem no que te cabe
No teu voo de ave
Tu és a verdade
(Colóquio-Letras, n.º 87, Lisboa, FCG, Setembro 1985, p. 56)
tomás jorge
Poeta, nacionalista, militante original e desengajado, com preocupações filosóficas próprias (com o tempo, a memória, o cosmos, o sentido da vida, os átomos, o ser, particularmente o ser humano), uma voz potente e bem educada, amigo, brincalhão e emotivo, bom declamador, amando Angola até ao âmago, assim foi Tomás Jorge Vieira da Cruz. Está a morrer ("o meu caminho chegou ao fim"), no Hospital de Santa Maria, com cancro e sem dinheiro.
Hoje passou uma mulher por aqui a vender gajajas. Lembrei-me dele:
Procurar: Areal: poemas, 1961 Talamungongo... olha o mundo!, Luanda, Kilombelombe, 2005GAJAJA
Fruto pálido, empaludado… Cereja dos trópicos de cor desmaiada. Luanda: - onde estão as tuas gajajeiras que a troco dos seus frutos pedradas eu lançava, pedradas que magoavam - pedradas de criança! Por certo que foram destroçadas, sepultadas em teus alicerces da Brito Godins e de todas as Ingombotas, tal como os frondosos cajueiros. Vi hoje uma gajajeira já quase morta. Havia pedras a seu lado, areia e cimento e um buraco longo, rodopiando, fazendo quadrados, rectângulos, quadrados… Se a minha fortuna não fosse feita de sonhos, compraria aquele terreno. A copa da gajajeira seria o meu chapéu, a umbela dos dias quentes e das noites de luar e de cacimbo. Luanda: - onde é que estão as nossas gajajeiras? Essas gajajeiras que me davam as gajajas da minha infância os frutos da minha vadiagem! Eu atirei pedradas! Mas tu, Luanda, o que fizeste delas?


