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Átomos estéticos são também cognitivos
“Quando vemos algo além de nossas expectativas, pedaços locais de tecido cerebral geram pequenos ‘átomos’ de afeto positivo. A combinação ...
23/09/2008
portugal-angola, sempre igual: 0-0
Os portugueses em Angola são um peso morto no cenário político: votam pelos negócios imediatos. E antes de chegarem já estão de acordo - embora não saibam com o quê. Na sua perspectiva, devem ter razão. Não é deles que se podem queixar os angolanos. Empate técnico.
abstenção
Os órgãos oficiais tudo fizeram para escondê-lo: a abstenção ficou acima do milhão, quer dizer, quase o dobro dos votos que teve o principal partido de oposição, a UNITA. Isto reforça duas opiniões: primeira, que o voto no MPLA foi um voto conformado, por falta de alternativas; segunda, que a oposição não convenceu o eleitorado (e, apesar de tudo, podia tê-lo feito bem mais do que 10 ou 15%). Não haja dúvidas: com guias imortais e caminhos da libertação tudo parecia mais fácil.
AJPD
A Associação para a Justiça, Paz e Democracia tem protagonizado, desde 2000, um papel brilhante na defesa intransigente e isenta da justiça, da democracia, da paz, da transparência. Por isso vem sendo perseguida. O argumento é, aparentemente, legal e vem de trás: como terá normas inconstitucionais na sua constituição (aprovada no entanto) terá de ser ilegalizada. Não pode mudar as normas, o que se pede é mesmo o fim da Associação. Fizeram o mesmo para silenciar alguns órgãos de informação e jornalistas independentes. Não é uma ditadura assumida, mas, sob a capa da legalidade, a perseguição aos órgãos independentes e exigentes da sociedade civil. O que dá no mesmo: falar, só para fazer barulho. Se é para tocar nas feridas, silencia-se. Se fosse a HRW diziam-lhe para não interferir nos negócios internos; sendo uma organização angolana, simplesmente ilegaliza-se porque terá (a AJPD nega) itens inconstitucionais nos seus estatutos. Cada vez mais se avolumam as suspeitas da oposição: a ditadura parece estar de volta.
farrapo velho
Nem por acaso, ontem falei disso. Nova reacção à HRW em Angola: não devem ingerir nos negócios internos...
Onde é que já ouvimos isto? Desculpas globalizadas...
22/09/2008
hoje
Hoje
Toda a feliz civil idade me entre tece
— Torpor acordoado contra o vento.
Ontem no seu grão predisse a voz:
O zelo assistirá, atento,
À criação do evento
Preso nas teias da lesão do tempo
Que a velha aranha tece
Maduro.
Via-se da pescaria:
Nas redes velhas da traineira
A sorte sombreava a cor.
O paraíso é uma casa sem sustento.
Um movimento sôfrego asfixia
O ar, a clara noite que envelhece.
O lago é a esteira do sedento.
O segredo contém a novidade:
O censo do mundo que, morrendo,
Sustenta a eterna idade.
(a)chavismos
A Human Rights Watch leu o seu relatório sobre a Venezuela em Caracas. Naturalmente criticou o governo do país por estar a cercear a liberdade e a democracia. O resultado imediato já lhes deu razão: foram expulsos do país imediatamente. Não sei o que é que o tal socialismo bolivariano tem de novo. Trata-se apenas de mais uma ditadura populista e de esquerda. Que só não faz pior porque ainda não pode fazer. Apesar de tudo (a campanha maciça para silenciar e insultar a HRW) o governo angolano não fez o mesmo. Esperemos que nunca faça.
21/09/2008
o instante
Só um instante
Nos magoava.
Um rigoroso instante.
Nos pomares de maçãs
O rumo da caravela
Distante – vermelho o mar
A debruar
Os lábios e o estrume
Da chuva.
(teia de luz a penumbra,
suspensa da estória de um abismo;
o que nos une é aquilo que se
para)
Entre nós há frutos que tombam
Para cobrir o chão de noite.
Para calarem sobre lagos
Encantados o sal das pedras,
Noivas de nuvens e com dote.
Para que a sede nos devolva
A água;
Para selar os ecos onde vem o vento
(adulterino, o que não espanta)
Desdizer o desenho do passado; para
Pastar a paz antiga, húmida,
Sobre o solo diurno e indefinido.
Um instante, só,
Nos separava.
E era a eternidade.
(entre tanto, no chão,
A tua sombra calma respirava)
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