(Este tipo de imagens é, para muita gente, repousante. As águas da chuva escorrem por seus caminhos, as nuvens alertam-nos para que pode chover mais, a casa mantém-se direita, serena, imutável, e o gado vem aproveitar a conjugação da luz com a água para comer erva tenra. Umas poucas árvores assinalam os caminhos que levam e trazem à casa.
Porque mesmo hoje continuamos a gostar de ver estas paisagens? Antes elas eram comuns para o quotidiano de milhares de pessoas. Agora, que muitos milhares de pessoas habitam nos prédios, entre ruas e cidades previamente comandadas, ainda gostamos destas imagens e, por isso, elas fazem sucesso.
Quando a arte, por exploração de hipóteses compositivas e percetivas, arriscou romper o espelho e mostrar que ele era, na verdade, uma construção, número expressivo de pessoas sentiu que perdia uma referência pessoal, afetiva, necessária - mesmo aquelas pessoas criadas entre prédios altos de cimento armado e ruas asfaltadas. Isso possibilitou a expansão desenfreada de um 'mau gosto" que inundava salas, quartos, corredores e varandas de apartamentos com reproduções de mau gosto, usando técnicas primárias e baratas, que porém repunham, satisfaziam, a função, a necessidade que as pessoas sentiam de olhar essas paisagens, de as reter para as contemplarem 'entre quatro paredes'. Além disso, compravam-se por baixo preço tais reproduções, que já se vendiam muito no começo do século XX.
Porquê? Por que faziam falta? Continuam fazendo falta, com reproduções baratas ou fotografias perfeitas, nítidas, exatas. Esse é um dos aspetos que a chamada crítica evolucionista sente necessidade de explicar. Os críticos engajados politicamente usam-no como pretexto; os críticos em bicos de pés, a mostrarem que detêm a ciência da arte, ignoram essa tendência universal e trans histórica. Ficaria, por eles, um aspeto essencial da relação entre arte e público sem se explicar e, por isso também, nos faz falta levar em conta a crítica evolucionista)
