À sombra das grandes árvores verdes Escrevo meu baú de vime, atraído pelos brilhos nas folhas intermitentes Quando a brisa agita o sol. As árvores têm casca E condomínios dentro das nuvens Mas a alma não tem pele Mas a alma não tem casa, A alma não tem nada, Não tem. Alma. As árvores têm raízes E cidades e punhos e ninhos, Mas as raízes da alma Estão no voo indelével Do caminho aberto, No passo imprevisível Entre folhagens quando O pano da noite cai. As árvores nascem, crescem, Engrossam as veias de nervos densos E lentos, despem-se e vestem-se, Depois morrem, majestosas e dignas Longe dos filhos Como as velhas casas. Mas a alma não sofre pelos dias. A seiva Da alma vem do vento quando roça A última gota de orvalho sobre o galho seco De uma árvore morta. Porém, À sombra das grandes árvores verdes Folhiam versos de pernas para o céu o rumor da seiva que as traz Elevando o fruto no dilúculo e na penumbra. ...