Nem sempre a caravana passa, Nem sempre o calado ganha. Nem sempre a água se retira Depois que escondes a cabeça Na mesma praia Do caranguejo Da mesma pedra Na mesma praça. Mas quando partes Alguém deixaste Como um resíduo Como um fantasma Com sua ausência Na voz atenta Dos que te conheceram. E contigo eles vão também Puxando os fios do retorno Das águas que deixaste à beira-mar.
(as coisas em si próprias) * glosa a Camões: "ninho feito, pega morta", Mundo, se te conhecemos, Tu não enganas ninguém. (Lendo Camões - vida e obra , de Carlos Maria Bobone)