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19/09/2009
18/09/2009
17/09/2009
adelino torres teses
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Não creio
Que me façam feliz:
Sob o receio
De chumbo no céu próximo
Alguém executou as diretrizes
De um plano óbvio.
Um amigo acena: ao longe, brandamente...
Estar aqui, não por ser triste,
Mas por, agora,
Sermos o fogo que nos devora
De pura rebeldia a sequiosa voz.
Dois escravos libertos
Para acordar o sono atormentado
Como um porto, a soave
Mentira.
carlos ferreira quase exílio
O INIC (Instituto Nacional das Indústrias Culturais) publicou em 2003 a obra homónima de Carlos Ferreira com desenho de José Rodrigues na capa.
Carlos Ferreira é um caso particular (como quase todos) da literatura angolana. Faz parte, com Filipe Zau, daqueles escritores angolanos que também com sucesso compõem letras para música e estiveram sempre muito ligados à música – de onde lhes virá o sentido de ritmo e de harmonia mais apurado.
Fez a sua caminhada no âmbito das Brigadas Jovens de Literatura convictamente, pela fidelidade aos ideais da Revolução que professou. Daí lhe vem uma profunda amargura, a dos que se desiludiram ao verem que o rumo tomado se afastava cada vez mais da utopia. O que pulsa em quase todos os poemas do livro é a angústia de quem acreditou, viu tudo e quase todos falharem, e se retirou para Portugal (ou qualquer outro país) amargando ainda uma enorme solidão, um quase exílio.
Da vivência intensa dessa desilusão coletiva e com o coletivo lhe vem um tom pessoal, íntimo, que não estamos habituados a ver em poetas entregues aos ideais revolucionários. Isso lhe dá o lugar próprio na lírica angolana: uma poesia próxima da música, pessoal, íntima e, no entanto, assumindo frontalmente o fim de um sonho. Quando acabei de ler o livro ocorreu-me esta passagem de Gabriela Llansol: "era bem o fim de um sonho".




