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teoria do charco I e II

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regresso a Benguela

Numa sexta-feira pela tardinha. Guardando em silêncio todos (incluindo a imprensa nacional e internacional) a notícia das dezenas de mortos nas cheias, das centenas de desalojados e não sei quantas novenas para os que ainda vão morrer picados pelas garras eléctricas dos charcos nos caminhos. Abandonamo-nos, num cansaço magoado e escondido para não mostrarmos tristeza, abandonamo-nos à lassidão sensual dos que não fazem parte do mundo. Sentimo-nos tralha: os nossos mortos não são iguais aos outros. Continuamos sós. Alegra-nos a vista nova dos morros áridos e agrestes agora ainda verdejantes, miragens irónicas do paraíso na ambígua disposição do cenário. Vamos ouvindo as notícias sobre os amigos, os cenários, as anedotas, as perspectivas – enquanto entramos na cidade. Avançamos pelo torvelhilho de poeira. Aqui é assim, dizem os vizinhos de outro tempo. A poeira é da cor do milho, ocorre-me. Será que os Incas reparavam nisso? Não conheces aquele aforismo da Bíblia: tu és lama e em pó te ...

benguela, 2002

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descrição da Ilha

De nada falam as palavras No pano branco, sobre o lago. Cobrem caminhos tacteando Traços de sombra sobre a Ilha, Vagos olhos separados Do rumo. E calam-nos sangues – Seivas, larvas, ruas - vários

cubanal

a propósito do último artigo de Fidel Castro consultem as informações constantes neste endereço: http://www.payolibre.com/presos.htm

praia morena, benguela, 2007

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alegação

Um cais deserto sob a morte Me justifica. A queda brusca de uma história Antiga, O deus secreto que a memória Instila. Mundo suspenso, Terno e cruel Para quem fica. Pequeno sonho de papel.