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mingota
A mãe vem de Malanje para levar a filha com meningite ao Hospital. No Hospital não há camas disponíveis e a doente é rejeitada. A mãe pede então uma ambulância para levá-la a outro hospital e os servidores públicos pedem-lhe dinheiro por fora para tratar disso. A mãe não tem, sai a pé dirigindo-se a outro hospital público. A meio do caminho, na portaria da Televisão Pública de Angola, a jovem morre. Felizmente a Televisão pegou no assunto, o Ministro mostrou uma sincera tristeza e desapontamento, o hospital pediu desculpas e disse que ia punir os funcionários - mas reafirmou que não podiam receber a doente por falta de cama.
Isto acontece diariamente, não só aqui mas agora foi notícia entre nós. E a única novidade é essa. Na verdade, a maioria de nós não tem a menor noção da responsabilidade na profissão; vigiar e punir os irresponsáveis é ainda considerado muito feio, exemplo de repressão que lembra os velhos tempos. A subserviência com que nos damos a ordens injustas e acenos de corrupção, a gula com que todos os dias vemos tanta gente aproveitar-se das mais pequenas necessidades para extorquir dinheiro no que deviam ser serviços públicos, só têm contraponto no desleixo, desprezo e desconsideração com que tratamos o conceito de dever e de responsabilidade pública, social, humana.
Provavelmente nem vão sofrer grandes consequências os escroques que tentaram extorquir dinheiro à mãe aflita. Mas o que seguramente ninguém fará, muito menos os responsáveis que chegam tarde, saem cedo e despacham os subordinados aos 'bafos' para fazerem o serviço deles, muito menos os responsáveis irão estar lá, sempre que necessário, para vigiar e corrigir comportamentos destes. Enquanto não mudarmos essa mentalidade, ironicamente cultivada anos a fio pelo monopartidarismo, não adianta mais nada. Nem mesmo ir morrer à porta da Televisão.
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