Páginas

Páginas

30/12/2024

Auto da visitação


- a vibração do verbo seria, sem dúvida, originando aliás o que existe e é, 

 

A coisa

 Na sua causa


A causa 

Na sua casa.


A evidência 

Acesa.

A existência 

Da natureza morta.


29/12/2024

À desffolhada

 "Afastado da beleza, o amor torna-se uma atividade doméstica"

(Anami Randa, A felicidade dos peixes: Fruto e silêncio duma rapariga sem situação amorosa. Porto: semnome, 2015. - p. 44)



28/12/2024

Deu-lhe uma branca,

 "Formulou o seu último desejo. Viveu livre para sempre"



(Paulo Borges. Vida nua: Livro dos Livros. Porto: semnome, 2021. Il. capa e contra-capa Vlad Dumitrescu)

(foto minha)


A verdade:

 


(rosca: palavra da língua portuguesa de origem incerta, possivelmente pré-romana)

25/12/2024

Ontem

 

A mãe cabeceava com sono.

A pele queimou-se nas veias.

Agora sentamo-nos ao sol


(Anterioridade: 
Etali ndania
Ndataluka lokusungila
Omõla wapia olulela
Etali ndania
He é he é)



24/12/2024

Antera não veio


(o que tu comes é o que te vai comer
- provérbio kikongo)

 

23/12/2024

Praça de inverno


"e vejamos na tua formosura
o monte e o escarpado
donde jorra água pura"

 (São João da Cruz - fala da esposa)

22/12/2024

A luz

é um paradoxo


21/12/2024

20/12/2024

No meio, a virtude,

o vazio no caminho do meio 



19/12/2024

Dizia Gurdjieff que


"Une conscience, qui s’est librement développée en saura
toujours plus long que tous les livres et tous les maîtres pris
ensemble."




 

17/12/2024

Janela inalterável




(naquele dezembro tardio)

 

15/12/2024

Sob a abóboda métrica


o ritmo do poeta
é um cão vadio
com asas


(na fotografia uma águia de pedra, sob os pés do santo, na gloriosa entrada mística da Sé de Évora)

 

14/12/2024

A melancolia


é uma luz oblíqua


(não conhece Amor e não tem reLigião)

 

13/12/2024

O confessionário


("este ponto no círculo das idades"... - Almeida Garrett)

 

11/12/2024

E preciso refletir sobre

a condição do saber nas sociedades contemporâneas:


 

09/12/2024

08/12/2024

Tribunal da relação:


jogo de janelas - sem espelhos. É possível?


 

06/12/2024

04/12/2024

Memória ágrafa?


"Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto".


(v. Mt 6,1-6.16-18)

 

03/12/2024

Pináculo


que demonstre a originalidade do espírito e a verdade do estilo


)sendo a palavra, também, uma das belas artes(

 

02/12/2024

Francis Bacon, sobre jardins:


"No que concerne aos aviários, devo dizer que não me aprazem"


 

01/12/2024

Os alinhamentos


na luz imóvel da palavra suspensa


 

28/11/2024

Talvez a manhã


(maybe the morning)


 

27/11/2024

Dizia alguém que


a palavra funcionava como um laço


 

26/11/2024

Não há problema nenhum: o tempo é cíclico mas em linha reta...

 

Perante o longo rio

De águas fluentes

Mais alto e mais além: 



23/11/2024

O problema da literatura pragmática é um problema de plaquetas, é o de,

apesar da preocupação comunicativa, ela se tornar coagulante


(clique na foto para aumentar)


22/11/2024

"Diante de um longo rio

de águas sussurrantes, ficamos fascinados sem conseguir pensar na sua débil fonte"


(Lessing, falando sobre relações entre biografia, leitura e obra pelo exemplo de Homero, citado por Todorov em Os géneros do discurso, «Poiética e poética segundo Lessing»)

 

Mais alto e mais além -


uma divisa desvirtuada. Não tem sentido militar nem ditatorial. É místico o lema. É uma indicação do dever de transcendência, do super-homem para um nietzchiano, do além-homem para um místico. Além do próprio, além de nós, além de «eu», fora disso rumo ao que, sendo altíssimo, é origem, portanto imanente. Os românticos gostavam de dizer: está no 'imo da alma'. A foto, aliás, é de um jardim romântico, o botânico do 'palácio de cristal'. 


 

20/11/2024

O entimema,


a inferência pelo provável, é também reflexo dos padrões automatizados de perceção. Não se verificando, não se examinando (o sistema percetivo carece de autorregulação), sustenta  o paralogismo, sobretudo na política partidária.


 

Literosfera

com losângulo


(Biblioteca Almeida Garrett, Porto - Secção Infantil)

 

As gritantes mudas

 A tua beleza encanta e inflama,
A persistente virtude extenua e acalma.
Os olhos enlevados não sabem já
Com que dizer as belas palavras, nem sequer
- por pensar ou por medo ou quase nada - nem
Sequer sabem se te viram.


Fincam as unhas gritantes dos versos
Na alumiada escuridão em que se levanta o sol
Por um antigo ritual cuja magia
Não teve idade.

19/11/2024

Café da manhã


Na marmórea taça a água morta, António Machado etc.

 

17/11/2024

Esta é só assim,

 a igreja aqui na rua dos Bragas, capela do Convento Franciscano de Nossa Senhora dos Anjos



O enquadramento

 consiste em: plano e ângulo; o ângulo regula-se por altura e lado. A fotografia pode ser uma arte desenquadrada.


16/11/2024

14/11/2024

O alvo


sem pacto
ficcional

 

13/11/2024

Vejo a vida

 como uma estrada interrompida


- e meti por uma picada.

(Luandino Vieira. Papéis da prisão. Lisboa: Caminho, 2015, p. 816)


Porque isola um fragmento da realidade


a fotografia nunca deixa de ser conotativa


 

12/11/2024

Fundição - corte e colagem


Para cada amigo tenho sempre um relógio

No fundo claro dos meus olhos

E o milimétrico sintoma dos perdidos passos.


Para cada amigo há sempre

Um arco de sombra, trémulo e quente,

Um copo de vinho entre as cordas

Tensas do destino

E as mandíbulas descalças do espanto

Que ladrilha os caminhos tépidos da manhã:





11/11/2024

10/11/2024

Julius Evola:


"a contraparte da natureza olímpica [...] é a transparência do ser"


 

09/11/2024

08/11/2024

Solit´rio


como um post'e


 

07/11/2024

Novum organon

Também o ar não pode produzir cintilações pelo simples atrito, como julga o vulgo. Dessa forma, essas cintilações, devido ao peso do corpo em ignição, tendem mais para baixo que para cima, e, depois de extintas, resultam numa espécie de grãos de fuligem



(Francis Bacon)

 

Segundo os antigos,

dizia Francis Bacon, "a inconstância perpétua e o juízo vacilante são o castigo daqueles que, com criminosa audácia e esquecidos de sua condição mortal, aspiram às culminâncias da natureza e da filosofia, como se subissem a uma árvore para devassar os mistérios divinos." Ou seja: se te aproximas da sabedoria, não tens palavras nem frases para descrever, não tens ramificações capazes de alcançar o que vês. O erro é tentá-las. Por fidelidade ao que te parece verdadeiro, ou silencias e vês, ou ficas condenado à mudança constante. Porque não há palavras para a culminância, dedicarás a cada instante um provérbio solto. Reunirás os instantes em poemas curtos como folhas coloridas de calendários. A única alternativa à poesia lírica só poderá ser, então. fotográfica.