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11/09/2026

07/09/2026

06/09/2026

A ressonância condutora do salto




(José Rodrigues - Luanda, Porto)


 

A árvore fez o barco,


o b'arco fez o rio
navegável,
o rio duas cidades
habitáveis.
Uma história antiga.


 

05/09/2026

04/09/2026

Identidade e estar ali




A relação do Porto com a França me parece mais antiga do que a relação do Porto com a Inglaterra, que se tornou bem mais forte. As francesinhas reativaram-na? Inventadas as ditas por um emigrante que estivera em França, nasceram, segundo parece, na década de 1950 ou 1960. Como se tornaram símbolo de uma cidade, mais, um símbolo identitário? 

Por outro lado, em Portugal, quantas mulheres antigas não faziam licores? E em que lugares de Portugal (ainda só falando em Portugal, nome que terá vindo do Porto) não se encontram amoras silvestres? Mas "a Farrobinha" tornou-se também símbolo regional. Ela pode se tomar a seguir à francesinha, ajudará a rebater e digerir, em dose mínima e com todo o açúcar do líquido para acompanhar um bom café amargo. Faz-se, portanto, uma aliança nacional portuguesa, na qual o café marca a presença do sul, a brasileira principalmente, mas também do norte de África, da África oriental e ocidental, arábica ou robusta. 

Como o que ingerimos altera a nossa constituição biológica, interfere na flora intestinal e, por aí também, muda-nos o estado psicológico, podemos afirmar que, mentalmente, os portugueses são portugueses por causa da junção da alfarrobinha com o café depois da francesinha. 


 

 

02/09/2026

Quando eu era pigmeu


minhas pedras eram gigantes


 

31/08/2026

Viajámos muito

esse verão


(amigos gramaticais de lei, não estranhem, viajámos muito o próprio verão, esse. Pese embora o ser nome próprio de Estação do ano, começa com minúscula, para também funcionar como verbo: viajámos muito no modo 'verão', eu verei, tu verás, eles verão que, reticências, complete a frase com sua vivência pessoal)


 

30/08/2026

Um dia a nossa verdade


por mais inexistente
que seja abrirá o dia 
na casa sentada
com os olhos limpos 
parados no caminho.


 

29/08/2026

27/08/2026

Decante



(Talvez a água a vir do chão,
Talvez o chão a vir do canto)


 

26/08/2026

24/08/2026

Chuva precoce


em todos os agostos

(escrevia Mário António em Lisboa, ali´s ele dizia "chuvinha", imitava uma fala própria de certas lisboetas)


23/08/2026

Outono

alentejano




 

20/08/2026

18/08/2026

Vamos


por partes


 

16/08/2026

15/08/2026

O tempo anda como as serpentes,

não evolui uniformemente.


(António Telmo, História secreta de Potugal. Lisboa: Vega, 1977. - p. 23)

(Não, talvez, usaria "tempo". Esse contínuo é a vida)

(Domenico Cimarosa. Concerti eclesiastici: sonata a tre)

(Estes fragmentos intercolonizam-se)

 

14/08/2026

Unidade


democrática




 

13/08/2026

Luz

indireta


(Porto, 12.8.2026, 19:48)


 

12/08/2026

Os corpos sonoros




são corpos elásticos


 

Nítido

nulo



"Agora a praia está deserta.Os últimos banhistas subiram a longa escadaria, desapareceram há dias atrás da falésia. E estranha, uma melancolia cresce como erva,deixa um rasto nas coisas. Memória do que morreu, subtil, do que vibrou - e a indiferença da terra, da luz. Do mar."




 

11/08/2026

Leibniz escreveu:


"pareceu indigno cegar o nosso espírito por meio da sua própria luz"
 

09/08/2026

Esta fotografia tem uma virtude:

 

no centro está o vazio.


O vazio é o outro nome
da plenitude


08/08/2026

Uma planta


precisa de água:


 

05/08/2026

Nada é perfeito.


Só a preto e branco.


 

04/08/2026

01/08/2026

Breve, inesperado,

qualquer movimento pode
iluminar a cidade


Depois do fogo abrir as asas


 

Qualquer movimento

é proporcional a outro movimento.


Porém, entre o vazio e o pleno não há proporção
~
(São Tomás de Aquino)




 

31/07/2026

Depois do fogo

é que repparei


 

30/07/2026

E, no entanto,

sem nenhuma crispação


 

29/07/2026

Ecos


da minha terra


(o título desta foto não é inédito. Publicou-se em 1952, em Luanda, após o autor estar completa e irremediavelmente cego, o livro Ecos da minha terra : Dramas Angolanos, editado pela livraria Lello. Uma das terras de Óscar Ribas foi Benguela. Estes são os morros em torno de Benguela e o grande e fértil vale em que ela nasce. Geralmente áridos e secos os morros, durante dois ou três dias depois de uma boa - e rara - chuvada ficam assim, verdes)