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30/04/2026

29/04/2026

25/04/2026

Os sábios

ficam surpresos


e depois religam




 

24/04/2026

23/04/2026

22/04/2026

Lua

encantada




 

21/04/2026

20/04/2026

No caminho do exílio




apura-se a direção do fumo

 

18/04/2026

Ela


sentou-se


 

14/04/2026

Cadernos de Psicologia


Segundo Jean-Pierre Changeux, a nossa tarefa consiste em traçar os contornos dos diferentes domínios de juízo que se desenvolvem em todas as culturas, sem impor uma tipologia ou um modelo geral que marque as pessoas que vivem num determinado local.



 

12/04/2026

Filósofo cínico

 

Sobre as patas de um cão

Vadio, vira latas,

Escoo por ruas escusas

O temor dos pontapés

E vejo, sob o candeeiro

Do sol, aquilo 

Que tu não vês. 


É isto um homem. 




Hoje resolvi ler


um poeta místico:


 

11/04/2026

Um ponto, havia apenas um ponto



no horizonte. Isso é que nunca se esquece.


 

10/04/2026

09/04/2026

08/04/2026

Cardume

de charneiras


 

A vida


dá muitas voltas




 

07/04/2026

Pois, como dizia o fotógrafo,


a verdade não se vê; vê-se a mentira

 

06/04/2026

Entrevista


"O fato é que não existe fotografia verdadeira ou falsa. Verdade e falsidade, quando consideradas corretamente, são propriedades da linguagem, não das imagens. Acredito que nos metemos em todo tipo de problema ao falar de imagens como se fossem verdadeiras ou falsas."

(Errol Morris, entrevista)


Agora me pergunto: mas em que medida a palavra entrevista é verdadeira ou falsa? O título que dei à foto acima pode ligar-se, pelo menos, a duas possibilidades de significação, cumulativas: "vista entre" e como se o fotógrafo entrevistasse a paisagem. Concordo, porém, com o resto da afirmação de Morris, acho-a verdadeira. 



 

05/04/2026

Tinha razão o poeta.


Em rigor, não é possível identificar uma linha contínua que marque onde o mar começa e a terra acaba. Imagina o céu!


 

04/04/2026

Luta

pela vida




 

Direita, no declive, está a casa


(Este tipo de imagens é, para muita gente, repousante. As águas da chuva escorrem por seus caminhos, as nuvens alertam-nos para que pode chover mais, a casa mantém-se direita, serena, imutável, e o gado vem aproveitar a conjugação da luz com a água para comer erva tenra. Umas poucas árvores assinalam os caminhos que levam e trazem à casa. 
Porque mesmo hoje continuamos a gostar de ver estas paisagens? Antes elas eram comuns para o quotidiano de milhares de pessoas. Agora, que muitos milhares de pessoas habitam nos prédios, entre ruas e cidades previamente comandadas, ainda gostamos destas imagens e, por isso, elas fazem sucesso. 
Quando a arte, por exploração de hipóteses compositivas e percetivas, arriscou romper o espelho e mostrar que ele era, na verdade, uma construção, número expressivo de pessoas sentiu que perdia uma referência pessoal, afetiva, necessária - mesmo aquelas pessoas criadas entre prédios altos de cimento armado e ruas asfaltadas. Isso possibilitou a expansão desenfreada de um 'mau gosto" que inundava salas, quartos, corredores e varandas de apartamentos com reproduções de mau gosto, usando técnicas primárias e baratas, que porém repunham, satisfaziam, a função, a necessidade que as pessoas sentiam de olhar essas paisagens, de as reter para as contemplarem 'entre quatro paredes'. Além disso, compravam-se por baixo preço tais reproduções, que já se vendiam muito no começo do século XX. 
Porquê? Por que faziam falta? Continuam fazendo falta, com reproduções baratas ou fotografias perfeitas, nítidas, exatas. Esse é um dos aspetos que a chamada crítica evolucionista sente necessidade de explicar. Os críticos engajados politicamente usam-no como pretexto; os críticos em bicos de pés, a mostrarem que detêm a ciência da arte, ignoram essa tendência universal e trans histórica. Ficaria, por eles, um aspeto essencial da relação entre arte e público sem se explicar e, por isso também, nos faz falta levar em conta a crítica evolucionista)

 

02/04/2026

A mão das asas


e o seu rosto 
uniam-se em pausa.

(intertexto: Donis de Frol Guilhade, Filigrana do adejo)


 

29/03/2026

Obras


de arte
(na galeria)

 

Espiral da Lapa

(siga o ziguezague de baixo para cima ligando os pontos que sente relevantes. Vá até à lua)


 

28/03/2026

Florbela Espanca - Realidade



Embriagou-me o teu beijo como um vinho
Fulvo de Espanha, em taça cinzelada,
E a minha cabeleira desatada
Pôs a teus pés a sombra dum caminho.

26/03/2026

24/03/2026

Vinha


arborizada


<a luz>

 

Na filigrana do adejo



havia também asas cada
um e seus pés
direitos e as plantas
[...] de anho anojo
luzindo [...] cor
polida de metal
nobre.

(Donis de Frol Guilhade [excerto])


 

Equilíbrio do delírio



Podia ser de noite,
ou anúncio matinal.
Um barco parado sobre as rugas
na geometria das mãos em concha.

No outro lado do mar,
O corpo de um Buda
Recolhe o sal.

 

23/03/2026

Na rota


do sabor autêntico


 

21/03/2026

Eu continuo aqui à espera

 

não sei nada


(Adriana Hoyos - excerto incerto)


Na vertigem do caminho

miras o mar grande
e continuas. Sozinho.


 

18/03/2026

15/03/2026

Dia sumptuoso,


perpétuo carpinteiro com pregos o fixou

 

Cultura de cultivo


(caminhos alentejanos)


 

O homem


é um ser incompleto