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15/03/2026

Dia sumptuoso,


perpétuo carpinteiro com pregos o fixou

 

Cultura de cultivo


(caminhos alentejanos)


 

O homem


é um ser incompleto


 

14/03/2026

Contemplação


pela qual cesso de viver

(Emily Dickinson)

 

13/03/2026

Porto


 (Quinta da Pena e Faculdade de Letras)

12/03/2026

Varanda no mato


"o eixo do mundo é o mundo fora dos eixos"

(Luiz Pires dos Reys, «Nascer do sol», revista Entre, número dedicado a António Ramos Rosa)


 

11/03/2026

10/03/2026

O riso é o princípio da loucura


a loucura é o princípio da sabedoria

 

09/03/2026

A canção do asceta



("Amigo, o que ganhas falando tanto?")


 

07/03/2026

05/03/2026

04/03/2026

02/03/2026

Só o devolver predestinado do outono às multidões



ineptas alcança o depurar seguro dos sedimentos

(Donis de Frol Guilhade)


 

28/02/2026

As formas são geradas por o que não possui forma.


é, portanto, muito provável que todos nós tenhamos nascido no mar.


(dicionário: "possui" = não se consegue ter o que não está fixo; "o" = artigo não definido, por impossibilidade; "forma" = prima de firme)


Sem fogo não há luz


- sem vinho a voz é diferente

 

26/02/2026

Casas de família



uma gramática de afetos e conceitos organiza-lhes o espaço de abrigo

 

Marulhia - 4


"pulsar fatal em todo o peito atlante

desde a exódica e remota origem"

(Donis de Frol Guilhade)
 

25/02/2026

Claríssima visão interior,



iluminai o poema
(João Carlos Raposo Nunes)

 

Aqui é no centro.


No inferno já não salvam.

 

24/02/2026

20/02/2026

O reflexo

não identifica, só dá sinal


 

19/02/2026

Encontro nas ilhas



como um pensamento que se organiza



 

17/02/2026

Vamos, sim.

Vamos por partes.


(clique na imagem para ver bem)

 

16/02/2026

15/02/2026

Alentejo

na marimba das árvores


 

14/02/2026

Espírito e natureza, pequena história:


Sozinho comtemplou por muitos anos o exterior da caverna junto à foz. A cidade ao longe era um quadriculado branco. As nuvens reuniam a cinza das águas ao branco da cidade. Quando saiu da caverna com os olhos limpos um cão veio ter com ele e se transformou na sua sombra. Lambia, como se fossem feridas, a marca dos passos do Mestre. 


 

08/02/2026

Paisagem


levantada do chão

 

06/02/2026

"Vai fermosa,


e não segura" (Camões)

 

05/02/2026

Nesse momento ela percebeu


que, afinal, havia um plano

 

Prolongar o passado:


um tesouro de pormenores que tornam o todo indiferente.

 

03/02/2026

Cada geração tem questões caraterísticas,

 

ligadas aos seus problemas mais urgentes


02/02/2026

Entre a imagem e a gema


de seu bréu


desde as águas do mistério

(Donis de Frol Guilhade)
 

01/02/2026

A arte é

um suplemento alimentar


 

31/01/2026

30/01/2026

A sabedoria não habita


numa só casa

(provérbio sessouto - Blaise Cendrars - Anthologie nègre)


 

28/01/2026

No primcípio era o Verbo -

e no fim também


(princípio = primus caps)


 

25/01/2026

Nem sempre


a luz é forte

 

24/01/2026

Ler a cantaria pela manhã


em Santiago:


Cantaria recorda cantar, cantar é também trabalhar a pedra em três cantos, na origem da palavra portuguesa, que veios de França, dos mestres das catedrais. Os mestres de cantaria regulavam-se por relações numéricas e simbólicas. Nesta peça vemos três figuras sagradas. A central é feminina, as laterais masculinas. A central, feminina, leva um menino ao colo (o resto podem ler na Bíblia e nos estudos sobre cultos marianos, o sagrado feminino, mais alguns tópicos em reticências). Cada uma das figuras masculinas segura um livro fechado. Em que toca o menino? 

As figuras estão ladeadas por quatro colunas e assentes em três peças circulares, por sua vez erguidas sobre três formas retangulares com três figuras esculpidas: duas de anjos sob os pés dos santos do Livro, uma heráldica sob os pés da mãe com o menino. Por cima delas há três conchas (formas redondas). As duas laterais encimadas por duas pedras esculpidas para evocarem motivos de fauna e flora simbólicos; a do meio por duas figuras de anjos suportando a base de uma forma sobre a qual emerge a simbólica face do leão.

As quatro colunas suportam um triângulo bem decantado, emoldurado nos frisos por linhas retas e curvas discretas. No meio do triângulo ficam dois anjos abraçando um círculo com friso de linhas retas discretas e uma figura masculina ao centro segurando duas penas de escrever. O vértice do triângulo puxa-nos o olhar para uns degraus que o dirigem para uma janela com vidros coloridos. 

Deus não escreve, tem voz. Então, qual o sentido, o critério, o símbolo da pena e do livro aí?